Julgamento
de multas em BR será mais rápido
Consórcios que montaram aparelhos de fiscalização nas
BRs se comprometem a oferecer apoio para que Jari avalie
2,5 mil recursos por mês
O
Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) comunicou
ontem que a Junta Administrativa de Recursos de Infração
(Jari) vai reforçar e apressar o julgamento dos recursos
contra multas nas rodovias federais. Vinte mil recursos
se acumulam na junta responsável pelas multas em BRs. Quem
vai pagar uma estrutura mais eficiente para a Jari serão
os próprios consórcios responsáveis pelos equipamentos redutores
de velocidade (entre os quais lombadas eletrônicas), e pelos
radares móveis, os pardais, instalados nas BRs que cortam
Goiás. Conforme o DNER, o Consórcio Data Traficc, que implantou
as lombadas, e o Consórcio Rodovida, responsável pelos radares
móveis, assumiram essa semana o compromisso de oferecer
apoio material para que a Jari julgue mensalmente 2,5 mil
recursos. Os consórcios não são obrigados a custear a Jari.
O envolvimento deles, explicou a assessoria de imprensa
do órgão em Goiânia, se deve ao fato de o DNER não ter recursos
para implantar uma estrutura mais ágil para facilitar o
julgamento de multas aplicadas por meio dos equipamentos
de responsabilidade do Data Traficc e Rodovida. Com a reestruturação
da Jari - formada por um funcionário do DNER, um da Polícia
Rodoviária Federal e um do Sindicato dos Condutores Autônomos
de Goiás -, o DNER também vai submeter os recursos a um
pente fino antes da junta ser acionada. Outra medida anunciada
é a padronização dos pareceres para os julgamentos, com
o objetivo de facilitar o andamento dos processos. Os 2,5
mil recursos a serem julgados por mês são uma meta para
reduzir o acúmulo de recursos na Jari. Diariamente, duzentos
recursos dão entrada no distrito do DNER em Goiás. Grande
parte desses recursos é referente a multas aplicadas no
trecho denominado Sete Curvas, da BR-153, em Santo Antônio
do Descoberto. Estimativas de dois escritórios especializados
de Goiânia em fazer recursos para os motoristas indicam
que o número de multas no local é grande. Conforme informou
ontem reportagem de O POPULAR, um dos escritórios chegou
a elaborar a média de 1,6 recursos por dia contra multas
nas Sete Curvas, de 11 de outubro até o dia 20, enquanto
o outro calcula que 40% dos carros que passam no trecho
estão sendo multados. A direção do DNER, contudo, tem dito
que o número de multas no trecho está dentro do normal.
Na Curva da Morte (quilômetro 7,56) os dados indicam que,
em agosto, de 182,8 mil veículos que passaram nesse ponto
1,8 mil foram multados. Nas Sete Curvas foram colocados
oito equipamentos por causa da sinuosidade da pista. Houve
redução no número de acidentes, mas as queixas dos condutores
são muitas. A cada 500 metros há um aparelho implantado
ao longo de 7 quilômetros de curva. Vários motoristas têm
reclamado, classificando a fiscalização nas Sete Curvas
de “armadilha”. Nos pontos em que os equipamentos têm laços
que permitem multar nos dois sentidos da pista, as multas
aplicadas causam indignação. “É uma arapuca”, acusou o aposentado
Wellington Ferreira de Souza. Os motoristas também se queixam
do limite de velocidade nas Sete Curvas, que é de 60 quilômetros
por hora. A insatisfação com o limite máximo de velocidade,
a falta de sinalização indicando que os aparelhos multam
em dois sentidos e a demora no julgamento de recursos são
reconhecidas pelo DNER. Tanto que o distrito solicitou ao
departamento em Brasília que o limite seja elevado para
70 quilômetros por hora. Outra medida é a colocação de placas
informando que o equipamento mais próximo está fiscalizando
nos dois lados da pista. Outra decisão foi a de dar efeito
suspensivo no caso de recursos não-julgados depois de 31
dias de protocolado na Jari. Até quem paga a multa para
recorrer depois tem queixas. O comerciante Nerivaldo dos
Santos Mota, por exemplo, pagou a multa no Banco do Brasil,
mas ela continua constando como não paga. Com isso, explica,
ele se vê impedido há dias de fazer a transferência do veículo.
Fonte:
O Popular
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