Engavetamento
na Fernão Dias revela descaso do DNIT
O
engavetamento ocorrido no dia 07 de março, segunda-feira
na Rodovia Fernão Dias - BR 381 (São Paulo-Belo
Horizonte), próximo da capital mineira, além
de envolver 14 veículos e provocar, milagrosamente,
apenas cinco feridos, revela o descaso do DNIT, órgão
do Ministério dos Transportes, na execução
de obras básicas que garantam condições
mínimas de segurança aos cerca de 120.000
veículos e centenas e milhares de pessoas que utilizam
aquele trecho da rodovia todos os dias.
A
rodovia é duplicada, mas crateras, sinalização
precária e a imprudência dos motoristas, têm
provocado acidentes constantes. Além da perda de
vidas humanas, empresas instaladas na região estão
tendo prejuízos, há muitos anos. Algumas cogitam
entrar com ações na justiça. Na segunda-feira,
somente a Fiat registrou atraso de várias horas na
chegada de 1.700 trabalhadores. Somente as empresas ligadas
à montadora empregam 30.000 pessoas na região.
Num
trecho de 22 quilômetros passam mais de 18 milhões
de pessoas por mês. Segundo o prefeito de Betim, Carlaile
Pedrosa, somente de arrecadação da CIDE, imposto
sobre os combustíveis cujos recursos deveriam ser
utilizados na manutenção das estradas, são
arrecadados por ano mais de R$ 80 milhões pelo consumo
de combustível das pessoas que usam o trecho. As
obras de recuperação, dos 22 quilômetros
entre Betim, Contagem e Belo Horizonte, vital para Minas
Gerais, tem custo estimado em R$ 12 milhões. Nos
últimos três anos, com a criação
da CIDE, o Governo Federal arrecadou mais R$ 240 Milhões
somente na região. Daria para recuperar praticamente
toda a extensão da rodovia, num total de 565 quilômetros.
A
prefeitura de Betim já demonstrou interesse de municipalizar
o trecho, absorvendo os custos da manutenção
da rodovia. Várias empresas já manifestaram
interesse em colaborar, o Governo do Estado, também
deixou clara sua disposição de apoiar o governo
federal na recuperação da Fernão Dias,
em particular do trecho de Betim, afinal, somente aquela
cidade arrecada 18% do ICMS de Minas Gerais.
O
descaso do poder público com a Fernão Dias
já dura mais de 15 anos. Na região de Betim,
há inclusive um viaduto fantasma, conhecido como
da Krupp, que há mais de 10 anos leva ninguém
há lugar algum. Empresas que se instalaram na região
esperando contar com boas condições de logística,
já não suportam mais a inoperância do
setor público.
O
presidente do Grupo Fiat, Cledorvino Belini, sobre o acidente
da última segunda-feira, declarou, em nota oficial:
"O acidente desta manhã na BR-381 e o congestionamento
de muitos quilômetros de extensão decorrente
do mesmo acabou provocando transtorno produtivo para as
empresas instaladas na região. O fluxo do fornecimento
de componentes foi prejudicado e boa parte dos trabalhadores
não chegou a tempo ao serviço porque os ônibus
ficaram parados por horas na estrada.
"Mais
importante é que esse acontecimento evidencia, pela
enésima vez, a situação de grave perigo
a que estão submetidas as milhares de pessoas que
diariamente circulam pela BR-381 entre Betim e Belo Horizonte.
Por sorte, o acidente de hoje não terminou com vítimas
fatais, mas os fatores que o causaram, como a má
conservação e péssima sinalização
da estrada, permanecem inalterados.
"Esta situação de caos depõe contra
Minas Gerais, que vê sua posição de
pólo nacional de produção frontalmente
contestada por uma rotina de pandemônio logístico
e de risco de vida constante".
"A falta de solução para um problema
tão visível e previsível espanta o
empresário, angustia o trabalhador e aterroriza o
usuário da citada rodovia. A
responsabilidade seja de quem for, deve ser assumida com
urgência", declarou Belini.
Os
acidentes freqüentes, além de comprometer a
produção das empresas, que operam no sistema
"jus in time", colocam em grave risco a população,
pela movimentação de carga perigosa diariamente,
em virtude da presença da única refinaria
de Minas da Petrobrás e das distribuidoras de combustível
localizadas na região.
O
DNIT foi procurado pelo www.estradas.com.br para esclarecer
a razão da inoperância do órgão,
mas tanto a assessoria de comunicação do DNIT
em Minas Gerais, como de Brasília, não retornaram
as ligações, demonstrando a mesma inércia
na área de comunicação que o DNIT já
pratica na recuperação das estradas.
Nem mesmo quem trabalha no órgão está
a salvo das precárias condições da
Fernão Dias. Ontem, funcionária do DNIT de
Minas Gerais, sofreu grave acidente no mesmo trecho do engavetamento
da última segunda-feira.
Fonte:
estradas.com.br
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