Roberto
Azevedo Roche
Gerenciamento
ambiental, uma nova economia
O modelo usual de gerenciamento ambiental insiste na
luta entre crescimento econômico e conservação
do ambiente, como se esses dois objetivos fossem excludentes.
Contudo, com a percepção do equilíbrio
natural existente na Terra e a constatação
dos danos globais da poluição, fica claro,
hoje, que a única maneira de obtermos um crescimento
econômico sustentável é a partir
da conservação ambiental. A proteção
do ambiente passou a Ter uma justificativa econômica
inquestionável. Não se trata mais de consciência
ambiental ou de filantropia. O investimento em meio
ambiente abre oportunidades de ganhos econômicos
reais. É o que está sendo chamado de ecosustentabilidade
empresarial.
Para aceitar esse novo paradigma é preciso
que algumas questões fundamentais sejam compreendidas
como por exemplo a introdução dos custos
ambientais no fluxo de caixa e a contabilização
destes.
O sistema de gestão empresarial passa a ser
falho ao não incluir nos custos de produção
os custos da degradação ambiental, que
são impostos a toda a sociedade. Todavia, quem
analisar com critério a evolução
da legislação ambiental e o forte posicionamento
da sociedade contra a poluição perceberá
que está em curso um processo de contabilização
dos custos ambientais. As leis que responsabilizam
o produtor pela destinação adequada
das embalagens; as responsabilidades administrativas,
civis e criminais do gerador do resíduo nos
acidentes ambientais; e os danos à imagem corporativa
nos casos de contaminação do ambiente.
Tudo isso vem fazendo com que custos que antes eram
socializados entrem na contabilidade das empresas.
Também passamos a perceber os serviços
que a natureza realiza. Ela recicla os nutrientes
mantendo o solo fértil indefinidamente, purifica
a água, fornece oxigênio a mais de seis
bilhões de pessoas no Planeta e recicla o carbono,
de modo que tenhamos uma atmosfera capaz de manter
uma temperatura adequada à vida. Se a degradação
ambiental comprometer a qualidade desses serviços,
teremos que obtê-los de outra forma (se for
possível), a um custo altíssimo. Vários
exemplos comprovam isso.
O aquecimento global, causado basicamente pelo uso
de combustíveis fósseis, vem alterando
o clima da Terra e trazendo uma intensificação
das enchentes, furacões, etc. Segundo a ONU,
na década de 90 o custo dos desastres naturais
foi de cerca de U$$ 850 bilhões. A destruição
dos ecossistemas vem prejudicando a qualidade da água
e elevando significativamente o custo do tratamento
necessário para atingir os padrões de
potabilidade. As práticas agrícolas
atuais reduzem a fertilidade do solo, elevando o custo
com fertilizantes químicos e agrotóxicos.
Esse panorama nos mostra que é preciso refletir.
Qual a melhor decisão econômica: conservar
a natureza ou destruí-la? Nas empresas, o que
é mais vantajoso: investir em produção
limpa para eliminar os impactos ambientais ou arcar
com os custos de gerenciar resíduos e passivo
? Aumentar a eficiência energética e
utilizar mais energia limpa ou pagar cada vez mais
na conta de energia? A melhor decisão ambiental
é a melhor decisão econômica.
Quem compreender que estamos na nova economia da natureza
, obterá lucro onde antes só se via
prejuízo.
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