
Lei
11.705 - Lei seca no Trânsito - 2008: O Ano
da Mudança
O Instituto de Segurança Pública do
Rio de Janeiro divulgou, recentemente, os números
relativos à violência no estado em 2008,
com suas diversas facetas.
As informações, disponíveis
no site do ISP, trazem dados consolidados que dão
conta da expressiva redução da mortalidade
em acidentes de trânsito ocorrida em 2008 quando
comparado ao ano anterior. A redução
global alcançou 6% num ano em que houve grande
aumento na venda de veículos, com o número
de primeiras licenças alcançando a impressionante
marca de 335.738 em todo o estado, inchando uma frota
que já ultrapassa os 4 milhões. É
muito importante observar que a tendência realmente
era o aumento do número de fatalidades, pelo
que se observava nas estatísticas dos últimos
anos e pelo aumento da atividade economica vivenciado
nos três primeiros trimestres. Contudo, tivemos
em 2008 um evento singular que, com suas consequencias
e desdobramentos, foi capaz de frear um pouco a mortalidade
no trânsito: a Lei 11.705, batizada pela midia
de Lei Seca no Trânsito.
Mais interessante ainda é a análise
comparativa do período anterior à Lei
11.705 com o período que a sucedeu. A partir
de junho todos os meses, exceto novembro, tiveram
número de mortos inferior ao mesmo período
do ano anterior. No início do ano a tendência
era inversa. No período Janeiro-Maio 2007 ocorreram
1101 mortes, número inferior aos 1125 mortos
no mesmo período de 2008, que representou um
aumento de 2,1%.
A análise do período posterior à
Lei 11.705 revela uma impressionante trajetória
de redução. No período Junho-Dez
2007 ocorreram 1866 mortes contra 1665 no mesmo período
de 2008. Foram poupadas 201 vidas neste período.
Vale repetir: foram poupadas 201 vidas no período.
A redução da mortalidade nestes meses
chegou a 10,8 %, quando comparada ao ocorrido no ano
anterior. Foram menos 6 mortes por semana.
Outro aspecto que atesta a ação da
lei 11.705 é o fato da redução
ter acontecido mais fortemente nas áreas mais
povoadas, os grandes centros urbanos, que comprovadamente
apresentam mais casos de acidentes graves causados
pela mistura álcool e direção.
A redução no periodo de 12 meses de
2008, quando comparado a 2007, foi de10,1% para a
capital, 7,5% para a região metropolitana e
3,6% para o interior do estado.
Esta observação é indispensável
e deve ser feita com todo o mérito para a nova
legislação.
É fundamental que se entenda a dinâmica
destes acontecimentos e que se possa discutir todas
as formas de violência, até mesmo aquela
que ronda o cidadão comum quando mata e morre
no trânsito movido a álcool, imprudência
e excesso de velocidade. Esta modalidade é
passível de prevenção com educação,
fiscalização, ação do
estado e participação de todos nós
buscando a necessária transformação
da nossa cultura que, como está comprovado,
pode salvar vidas.
Fernando Duarte Lopes Moreira
Especialista em Medicina de Tráfego
Autor do livro A Mudança Cultural que Salva
Vidas
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