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Contra fatos não há argumentos

Segundo balanço da Secretaria Estadual de Transportes de São Paulo, as estradas paulistas tiveram 25% menos mortes no Reveillon 2007, em relação ao mesmo período do ano passado. Uma das explicações para esta excelente notícia pode estar na boa conservação das rodovias do Estado.

Dados oficiais da Secretaria Estadual dos Transportes do Estado de São Paulo apontam para uma diminuição de 12,6% no número de acidentes nas estradas estaduais paulistas nos feriados de fim de ano, tomando por base o Reveillon 2006, o que significou 25% menos mortes neste período. E não é por mero acaso que as rodovias paulistas são as mais bem conservadas do País, segundo pesquisa 2006 da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). O levantamento mostrou que as dez melhores estradas do País estão em São Paulo e a maioria administrada pela iniciativa privada. O primeiro lugar ficou com a rodovia Bandeirantes, entre São Paulo e Limeira. Em segundo lugar está a Dutra, entre São Paulo e Taubaté.

Ainda segundo o levantamento da CNT, os últimos lugares da pesquisa que mensurou a qualidade das rodovias foram ocupados pelas estradas federais. Para o professor do Centro de Logística da Coppead/UFRJ, Paulo Fleury, (...) "este é o resultado de anos de abandono, falta de manutenção ou serviço inadequado, como o tapa-buracos." Segundo ele, o programa emergencial lançado no início de 2005 não mudou praticamente nada nas estradas brasileiras. Isso porque os remendos não suportam o efeito das chuvas e o excesso de carga (sic)."

"Coincidentemente", enquanto nas rodovias de São Paulo os acidentes e as mortes diminuíram, nas federais, no restante do País, o número de vítimas fatais aumentou 47,5%, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal. Em 58.800 quilômetros de rodovias foram registrados 1.392 acidentes. Desta forma temos uma estreita relação estabelecida entre boa infra-estrutura rodoviária e segurança. Contra fatos não há argumentos. E estamos falando de fatos que se traduzem em números, em estatísticas.

Se por um lado os críticos de plantão apontam os altos valores dos pedágios como justificativa para as boas condições das rodovias sob responsabilidade da iniciativa privada, temos a informar que se o preço a pagar para a redução destes índices for este está saindo barato. Isso porque uma recente pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) estima que, por ano, o Brasil gaste R$ 22 bilhões com acidentes em rodovias municipais, estaduais e federais. Segundo o levantamento, divulgado no final do ano passado pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), entre julho de 2004 e junho de 2005, foram registrados 372 mil acidentes nas rodovias brasileiras, ocasionando 6.119 mortes. Cerca de 90% dos gastos com atendimento hospitalar são pagos com dinheiro do SUS. A pesquisa considerou os custos com danos relativos às vítimas, veículos e estrada, incluindo custos referentes ao atendimento oferecido por policiais, resgate, perda de produtividade do cidadão por tempo de afastamento - no caso dos feridos -, atendimento hospitalar e reabilitação, entre outros valores.

Não estamos justificando aqui - e nem é nosso intuito - o preço, muitas vezes alto, dos pedágios das rodovias administradas pela iniciativa privada. Mas alertando para a estreita relação entre boas condições de tráfego e menos acidentes. Estas estatísticas deixam claro que não existe outra maneira de se reverter este triste quadro que hoje é retrato das estradas do País.

No recente seminário Segurança no Trânsito: Conscientização, Prevenção e Impactos Sociais, realizado no Rio de Janeiro, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, considerou que entre as maneiras de se reduzir os trágicos números é fundamental cuidar da sinalização das estradas. (...)"Não basta recuperar as vias se não houver sinalização adequada e fiscalização ostensiva para inibir as infrações dos motoristas", concluiu o ministro.

Portanto, dar condições de tráfego, exigir que esta infra-estrutura seja utilizada de acordo com os parâmetros estabelecidos pela legislação é o ovo de Colombo da questão viária do País. É simples. Mas precisa ser feito.

Áurea Rangel - Química, mestre em engenharia de materiais e diretora-executiva da Hot Line.


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