
Combinações
de Veículos de Cargas: Rodotrens, caminho para
avançar
O tráfego de rodotrens e bitrens nas estradas
brasileiras é objeto de uma polêmica
com defensores inflamados em posições
antagônicas. Ainda faltam estímulos à
modalidade de transporte que, apesar de combatida
por alguns, traz muitos benefícios econômicos
e ambientais. Isso, apesar dos avanços da legislação
com a Resolução 184 do Contran -- Conselho
Nacional de Trânsito, que autoriza a circulação
das CVCs -- Combinações de Veículos
de Carga, como são tecnicamente denominados
esses modais com peso bruto total de até 57
toneladas e 74 toneladas, respectivamente.
Numa CVC é possível transportar entre
48% e 85% mais carga do que numa carreta convencional.
Já a economia de combustível na relação
diesel/tonelada/km é de cerca de 31%, com a
vantagem adicional de reduzir praticamente pela metade
a frota circulante, retirando das estradas "carroças
de carga" com mais de 30 anos. Adotado em grande
escala, rodotrens e bitrens podem contribuir muito
para que o País garanta a autosuficiência
em petróleo, com ganhos também na balança
comercial. Uma modificação, portanto,
no atual panorama em que a produção
brasileira de diesel ainda é insuficiente para
atender à demanda interna.
Essa economia se reflete ainda na redução
da emissão de poluentes, otimizada também
pela adoção de veículos mais
modernos nesse tipo de combinações de
carga. Dados da ANTT -- Agência Nacional de
Transportes Terrestres mostram que a idade média
da frota nacional de caminhões é de
17,1 anos -- número que cai para 10,6 anos
nas frotas de empresas e aumenta para 21 anos nos
veículos de transportadores autônomos.
Na Cargolift, a média é de apenas 2,2
anos, sendo 70% da frota rodante já equipada
com gerenciamento eletrônico do motor, que reduz
ainda mais o consumo e as emissões poluentes.
Esses dados provam que haverá significativo
avanço para o Brasil, altamente dependente
do transporte rodoviário, com a adoção
das CVCs, aliada a um eficiente programa de renovação
de frota, que permita aos transportadores autônomos
e às empresas adquirirem caminhões que
atendam modernas normas ambientais e de segurança.
Para isso, precisa-se de vontade política,
sob pressão dos transportadores, para vencer
barreiras de alguns setores do governo, das concessionárias
de pedágio, e mesmo da indústria - todos
criadores de grandes dificuldades ao desenvolvimento
do nosso negócio.
O primeiro passo é convencer definitivamente
as autoridades de que os danos às rodovias
não são causados pela circulação
de veículos de grande peso como as CVCs. Simples
análise de suas características mostra
que a distribuição de peso num rodotrem
é muito melhor do que nas carretas convencionais
ou em caminhões de pequeno porte. O que estraga
as rodovias é o transporte de cargas com peso
bastante concentrado em veículo com pequeno
espaçamento entre eixos. Para exemplificar,
basta aferir o peso transmitido ao solo por um caminhão
basculante de dois eixos transportando pedra ou areia.
Algumas autoridades de trânsito alegam também
que a circulação das CVCs, por seu maior
comprimento, dificulta o tráfego de outros
veículos, expondo motoristas de automóveis
e ônibus a risco maior em ultrapassagens. Esse
argumento cai por terra quando se pensa na adoção
de caminhões modernos, capazes de manter velocidade
de cruzeiro maior, sem atrapalhar o fluxo normal do
trânsito. Além disso, reduzir a frota
circulante e retirar caminhões velhos e inseguros
das rodovias certamente aumentaria o nível
de segurança para todos.
Outra barreira a vencer é a dos fabricantes
de implementos rodoviários que, por questões
de mercado, preferem comercializar carretas tradicionais.
Basta observar seus estandes nas feiras e exposições.
Essa discussão já ocorreu na implantação
da União Européia, quando vários
países resistiam ao modelo adotado em toda
a Escandinávia, que há muito tempo permite
os combinados de carga. Não custa lembrar que
o relevo daquela região européia é
muito semelhante ao de grande parte do território
brasileiro. Isso prova que o modelo de lá pode
ser aplicado aqui, sem problemas.
A solução é, portanto, uma política
de governo para renovação da frota.
Dentre outras medidas, elevar o valor do IPVA para
caminhões mais velhos, e dar descontos aos
mais novos. Criar bônus válido por seis
meses na compra de caminhões novos, o qual
seria obtido com o sucateamento de cada caminhão
pesado com mais de 30 anos. No ano seguinte, para
caminhões de 29 e 30 anos, e assim sucessivamente.
A idade aceitável para tráfego deve
ser limitada a caminhões de no máximo
15 anos em rodovias e 25 anos em cidades.
Só com isso, podemos garantir, se evitará
a elevação do custo dos fretes nas operações
urbanas.
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