
As
filas que assombram o País
No dia 9 de maio, a cidade de São Paulo, principal
capital do país, registrou o maior engarrafamento
do ano: 266 quilômetros de veículos parados.
Uma fila tão grande que ultrapassa, em 15 quilômetros,
a distância entre Curitiba (PR) e Blumenau (SC)
- as cidades ficam, aproximadamente, 151 quilômetros
uma da outra.
O grande motivo para esse congestionamento de proporções
colossais é o aumento das vendas do setor automobilístico,
que cresce a passos largos. Só no primeiro
trimestre do ano, foram comercializados 1,1 milhão
de veículos, conforme dados da Federação
Nacional da Distribuição de Veículos
Automotores. Quantidade 25,7% maior que a do mesmo
período do ano passado.
Nesse contexto, os caminhões têm participação
expressiva nas vendas: ao todo, foram mais de 25 mil
nos três primeiros meses do ano, 28% a mais
que o primeiro trimestre de 2007. Motivo de comemoração
para as montadoras, mas de preocupação
para o setor logístico.
Embora mais automóveis nas estradas signifique
crescimento da economia, eles também indicam
a iminência de uma insuficiência na prestação
de serviços do setor logístico. E as
razões para isso são inúmeras,
sendo a primeira e mais clara delas a participação
do transporte rodoviário na economia brasileira.
Os caminhões são responsáveis
por 60% do escoamento da produção nacional
e enfrentam diariamente um grande inimigo: a má
infra-estrutura das estradas. Conforme a Confederação
Nacional dos Transportes, dos 169 mil quilômetros
que compõem a malha viária brasileira,
84 mil deles (74%) estão em condições
inaceitáveis de tráfego.
O governo federal promete R$ 33 bilhões em
investimentos por meio do PAC, mas ainda levará
um bom tempo para regularizar a situação
das rodovias.
Além disso, o Brasil está prestes a
colher uma nova safra recorde de grãos, estimada
em mais de 142 milhões de toneladas. E com
o início da colheita, é natural que
o número de carretas nas rodovias aumente expressivamente.
Todos esses elementos juntos são suficientes
para estourar uma bolha que infla ao longo de décadas,
e que projeta como resultado uma quantidade absurda
de veículos nas estradas, dificultando o escoamento
da produção.
No entanto, há uma saída a curto prazo
para isso: a renovação da frota brasileira
de caminhões. No ano passado, depois de muito
estudo, sugeri a criação de um programa
intitulado Emplaca Brasil, com a idéia simples
de incentivar os proprietários de trucões
antigos, com mais de 25 anos, a trocá-
los por bônus para a compra de veículos
mais novos.
Os antigos brutos seriam levados a um Centro de Sucateamento
e Reciclagem para o reaproveitamento de peças,
enquanto os proprietários ganhariam descontos
na compra de novos caminhões. Com isso, não
só diminuiríamos o volume de carretas
nas estradas como também reduziríamos
a idade média delas, que está acima
de 17 anos.
Assim, poderíamos evitar, por ora, os congestionamentos
de magnitudes interestaduais que tanto atravancam
o progresso nacional e trazer conseqüências
positivas para a economia e o meio ambiente, que sofrerá
menos com a poluição emitida pelos caminhões
mais antigos.
Markenson Marques - Presidente da Cargolift
Logística S.A. e diretor da Aslog - Associação
Brasileira de Logística.
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