Marcelo
José Araújo
Alteração
de hodômetro
Quando da aquisição de um veículo
usado ou semi-novo (forma educada de tratar o usado)
um dos critérios que pode ser considerado em
sua avaliação é a quantidade
de quilômetros rodados desde sua primeira aquisição,
a qual é registrada através do hodômetro
que se encontra incorporado ao velocímetro.
O problema é que muitas vezes esse registro
é alterado com a finalidade de representar
uma rodagem inferior à real. O problema, é
abordado inclusive na Revista Auto Esporte de setembro/05
(nº484, p.90).
O velocímetro é considerado equipamento
obrigatório pela Resolução 14/98
do CONTRAN, e o Art. 230, IX do Código de Trânsito
considera infração grave a falta, ineficiência
ou inoperância de equipamento obrigatório.
O hodômetro não é considerado
equipamento obrigatório, mas desconhecemos
qualquer veículo motorizado moderno que não
o possua, não só para registro da quilometragem
rodada, mas especialmente para controle da freqüência
de revisões, troca de fluídos e peças
de desgaste. Em conseqüência disso é
de se concluir que não há infração
administrativa nessa adulteração, até
porque sequer o hodômetro precisaria estar instalado.
Aliás, o velocímetro é um equipamento
obrigatório que não passa por nenhuma
aferição periódica por organismo
de metrologia, havendo que reconhecer que erros são
admitidos.
Criminalmente a questão pode ser complexa,
e poder-se-ia tentar caracterizar um estelionato pela
obtenção de vantagem pela indução
a erro, mediante meio fraudulento. Na parte cível
haveria que se demonstrar que essa alteração
implicou de fato numa valorização comercial
devidamente comprovada, e eventualmente abalo moral
pela indução em erro (enganação).
Quando a comercialização envolve relação
de consumo a situação pode se tornar
mais delicada. O problema é que apesar da quilometragem
baixa ser um atrativo, ela não é o único
fator de avaliação, pois o estado geral
do veículo e sua atenta manutenção
podem levar a conclusão diversa. Um veículo
que circula bastante por rodovias e bastante rodado
pode estar com itens de manutenção muito
menos desgastado que um veículo pouco rodado,
mas que circula em trânsito urbano conturbado
e engarrafado. Além do próprio hodômetro
outros itens podem denunciar a incompatibilidade,
como pedais desgastados, forração do
volante e manopla do câmbio, estofamento e o
próprio cinto de segurança.
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