Fernando
Luiz Nogueira Pedrosa
Viaje
bem. A vida está em suas mãos
No mês de janeiro de 2000 uma tragédia
violenta projetou para cima as estatísticas mórbidas
nas rodovias brasileiras. 46 argentinos e 3 brasileiros
mortos, além de cerca de 50 feridos graves, foi
o terrível saldo de duas tragédias consecutivas
ocorridas na BR 479 em Santa Catarina.
O impacto desses acontecimentos - assim como a repercussão
na imprensa brasileira e argentina - comoveu a todos
e ultrapassou as fronteiras dos dois países
diretamente envolvidos, chegando também aos
demais que, habitualmente, enviam todos os anos por
rodovia milhares de turistas para o verão brasileiro.
Numa rápida e competente avaliação
feita pelas autoridades sobre as causas de tamanha
violência uma triste mas previsível constatação:
Excesso de velocidade e imprudência dos condutores
envolvidos.
Naquela época uma dúvida recorrente
para os especialistas novamente surgiu: o acidente
teria sido mera fatalidade ou de certa forma algo
previsível e, por isso mesmo, possível
de ser evitado?
É fato corriqueiro que nos meses de verão
há um verdadeiro êxodo de argentinos,
uruguaios, paraguaios e chilenos que, motorizados,
buscam nos estados do sul brasileiro os seus momentos
de lazer e descanso. São povos irmãos,
vizinhos muito próximos, mas que falam língua
diferente e que têm seus próprios hábitos
de conduta na direção de um veículo.
Se a presença deles em nosso país, sempre
bem-vinda, não é um fato esporádico,
algo precisava ser feito para orientá-los adequadamente
sobre os riscos do excesso de velocidade e da falta
de cuidados ao dirigir, na legítima tentativa
de evitar a ocorrência de acidentes dramáticos
como o que marcou o verão de 2000. Alertando-os,
inclusive, sobre suas indelegáveis responsabilidades,
caso cometam infrações em território
brasileiro.
Convencido de que chegara o momento de atuar na formação
de uma nova consciência de prevenção
de acidentes e preservação da vida para
esse público, o Ministério dos Transportes,
por meio do Programa PARE - Programa de Redução
de Acidentes no Trânsito, lançou no ano
seguinte a sua campanha VIAJE BIEN. LA VIDA ESTA EN
SUS MANOS, em português e espanhol, destinada
a alcançar a grande massa de turistas visitantes
com mensagens de alerta, de orientação
e de serviços.
Os resultados expressivos verificados nas pesquisas
de opinião (De acordo com a pesquisa encomendada
pelo Ministério dos Transportes ao IBOPE e
realizada em fevereiro/2001 com 400 turistas estrangeiros,
91% dos entrevistados apoiaram a campanha) e no número
de ocorrências registradas (Estatísticas
da Polícia Rodoviária Federal acusaram
redução de 20,8% no número de
óbitos no período da campanha) indicaram
o acerto da iniciativa do Programa PARE e a campanha
tornou-se permanente.
Para estas férias de 2004/2005, espera-se
um número ainda maior de visitantes estrangeiros
ao Brasil, principalmente no litoral catarinense.
E, exatamente por isso, a nova edição
da campanha VIAJE BIEN. LA VIDA ESTÁ EN SUS
MANOS se repetirá com participação
ampliada, agora contando também com a empresa
de turismo do governo catarinense. Fortalecendo o
grande mutirão que será formado para
garantir a segurança na circulação
turística a SANTUR estará atuando em
harmonia com o Programa PARE, com a Polícia
Federal, a Polícia Rodoviária Federal,
a Polícia Militar Estadual, O DNIT, o DETRAN
e as Secretarias Estaduais de Transporte e Turismo
dos municípios que fazem parte do roteiro de
verão.
A parceria é grande, mas o objetivo um só:
segurança na circulação.
Além de toda a informação necessária
ao turista sobre a legislação brasileira
de trânsito, sinalização viária
e sobre as normas brasileiras de notificação
e cobrança de multas, o motorista estrangeiro
também receberá dicas e orientações
práticas sobre roteiros e oportunidades de
turismo que vão contribuir significativamente
para o seu bem estar e para a qualidade de sua permanência
em nosso país.
Todos que estão engajados nessa missão
têm plena consciência de que o sentimento
terrível de quem sofre um acidente viário
não tem fronteiras nem cidadania. Esse sentimento
sem pátria se propaga e se comunica pela linguagem
universal da dor e do sofrimento.
Esperamos que a tragédia que aconteceu exatamente
no primeiro verão do terceiro milênio
seja apenas uma triste e jamais repetida lembrança
indesejável.
Fernando Pedrosa
Jornalista e Publicitário. Especialista
em Prevenção no Trânsito.
Ex- Coordenador do Programa PARE do Ministério
dos Transportes
Membro da Câmara Temática de Educação
e Cidadania do CONTRAN 2002/2006
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