Fernando
Luiz Nogueira Pedrosa
Proteja
a vida de quem ama
Esse foi o título da campanha de publicidade
criada e desenvolvida pelo Programa de Redução
de Acidentes no Trânsito do Ministério
dos Transportes, PARE, nas férias de verão
1999/2000. Filmes para a TV e anúncios coloridos
de 2 páginas veiculados nas principais revistas
semanais de circulação nacional alertavam
sobre a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança
por todos os ocupantes de qualquer veículo no
trânsito e sobre as suas qualidades como acessório
de segurança indispensável na eventualidade
de acidentes.
Agora, quase dois anos depois, a importância desse
alerta assim como a gravidade das lesões sofridas
por vítimas de acidentes que não o usavam
podem ser comprovadas por números impressionantes.
A SBOT - Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
acaba de divulgar os resultados de uma pesquisa efetuada
na cidade do Rio de Janeiro que indica que apenas 1%
dos passageiros dos bancos traseiros usam o cinto de
segurança. A pesquisa, coordenada pelos ortopedistas
Sérgio Franco e Marcos Muzafir, avaliou o comportamento
e a postura de condutores e passageiros em cerca de
8.000 veículos, durante o mês de maio deste
ano.
Segundo especialistas, não há uma razão
claramente definida para que o cinto não seja
utilizado no banco de trás. Muitos passageiros
alegam desconhecer a obrigatoriedade. Outros, julgam
de forma absolutamente equivocada, que estarão
protegidos pelo banco dianteiro do motorista ou do carona
no caso de uma colisão. Entretanto, apesar do
inexpressivo índice de utilização
do cinto por quem senta atrás, há quase
unanimidade quanto a importância do dispositivo
na proteção dos usuários na eventual
ocorrência de acidentes.
Já não há mais qualquer razão
para se discutir a eficiência do uso do cinto
de segurança. Inúmeras pesquisas, dados
estatísticos e trabalhos científicos sobre
o tema desenvolvidos tanto no Brasil quanto no exterior,
comprovaram exaustivamente as valiosas propriedades
preventivas do cinto . Uma das mais recentes, desenvolvida
pela Rede Sarah de Hospitais - uma instituição
pública brasileira de referência internacional
no tratamento e reabilitação de lesões
do aparelho locomotor - constatou que 80% dos sobreviventes
de acidentes de trânsito atendidos em suas unidades
não usavam o cinto de segurança. Esse
detalhe, para muitos desses pacientes considerado insignificante,
agravou as conseqüências do trauma nessas
pessoas, que agora lutam contra seqüelas crânio-encefálicas
(60%) e medulares (20%).
Por tudo isso e pelo que pode significar em termos de
dor e sofrimento o esquecimento de um simples e rápido
"click" no cinto, que todos, condutores e
passageiros, devem andar sempre sob sua proteção.
Não importa se o trajeto é curto ou se
estamos ou não na estrada. As informações
prestadas pelos profissionais da Rede Sarah são
esclarecedoras. Numa colisão frontal, por exemplo,
um veículo a 60 km/h, arremessa o passageiro
solto no banco de trás contra o banco do motorista
ou do carona com o peso de uma tonelada. E as conseqüências
desse brutal impacto serão sempre muito traumáticas.
Isso sem esquecer que mesmo que a sorte ajude e nada
aconteça, a não utilização
do cinto de segurança por qualquer um dos ocupantes
de um veículo em circulação é
infração de natureza grave, penalizada
com multa de R$ 127,70 e perda de 5 pontos no prontuário
do motorista, além da retenção
do veículo.
Por isso, use sempre o cinto e proteja a vida quem você
ama. Começando pela sua.
Fernando Pedrosa
Jornalista e Publicitário. Especialista
em Prevenção no Trânsito.
Ex- Coordenador do Programa PARE do Ministério
dos Transportes
Membro da Câmara Temática de Educação
e Cidadania do CONTRAN 2002/2006
<< Voltar