Fernando
Luiz Nogueira Pedrosa
Mantenha
os olhos abertos. Se está com sono, não
dirija!
Um assunto sempre presente nos artigos que escrevemos
na RDE - Revista das Estradas, é o consumo irresponsável
de bebidas alcoólicas por quem está por
trás do volante de um veículo.
Nossa insistência se justifica pela freqüência
com que verificamos que essa perigosa mistura - álcool
+ direção - tem sido uma das principais
causas de acidentes fatais, principal-mente entre os
jovens brasileiros. Esse tema aliás, foi o preferido
nas últimas campa-nhas publicitárias de
prevenção de aciden-tes dos organismos
de trânsito, com respos-tas bastante positivas.
Entretanto, apesar do aumento da consciên-cia
desse risco por parte expressiva da população,
há ainda quem ignore que dirigir sob os efeitos
do cansaço e do sono pode ser tão perigoso
e fatal quanto é dirigir alcoolizado.
O sono é uma necessidade e satisfazê-la
é sempre um prazer para todos nós. Mas
pode ser algo extremamente ameaçador para quem
está dirigindo. Sentir sono indica, entre outras
coisas, que o nosso organismo está debilitado,
que a nossa atenção diminuiu e que nossa
capacidade de reação a situações
inesperadas está alterada. Algo muito parecido
com o que sente quem está alcoolizado ou sob
efeitos de drogas.
Todos nós temos nosso relógio biológico.
Este reloginho pessoal é que determina o nosso
ritmo no dia-a-dia. É ele que nos informa a hora
de comer, por exemplo, gerando sensações
especiais ligadas a necessidades básicas comuns
em qualquer ser humano. Sensações que
muitas vezes são acompanhadas por imperceptíveis
alterações físicas como mudança
de temperatura e de pressão arterial que provocam
reações em cadeia por todo o nosso corpo.
Relógios biológicos diferentes, pessoas
diferentes. As “madrugadoras” são
aquelas que se sentem mais produtivas e ativas nas primeiras
horas da manhã. As “notívagas”,
ao contrário, ficam mais vivas ao escurecer do
dia. Por isso não pode haver um padrão
para se determinar com rigor a hora certa de dormir
e a hora certa de estar acordado. O que há -
e isso não pode ser jamais negligenciado –
é a necessidade absoluta de algumas boas horas
de sono sereno e profundo após uma jornada, como
única e natural forma de recompor nossas energias.
O descanso não é como o dinheiro. Não
podemos “poupá-lo” agora para usá-lo
quando precisarmos mais.
As “dívidas” do cansaço quando
estamos dirigindo são cobradas de forma implacável
e custam caro.
Tão caro que às vezes pagamos com nossa
própria vida!
Fernando Pedrosa
Jornalista e Publicitário. Especialista
em Prevenção no Trânsito.
Ex- Coordenador do Programa PARE do Ministério
dos Transportes
Membro da Câmara Temática de Educação
e Cidadania do CONTRAN 2002/2006
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