Fernando
Luiz Nogueira Pedrosa
Educação
para o trânsito: caminho para reduzir a violência
no asfalto
A falta de educação de trânsito
e a conseqüente violência que isso gera,
já é uma preocupação mundial.
Se a falta de educação leva ao subdesenvolvimento
e mata a longo prazo, a falta de educação
no trânsito é a prova viva desse desenvolvimento
que mata de imediato. A educação é
a principal ferramenta para chegarmos à solução
para os problemas da extrema violência do trânsito
brasileiro. Apesar de toda a moderna tecnologia empregada
no controle das infrações e da possibilidade
da presença inesperada de um agente de fiscalização
com o seu arsenal de advertências e punições
(guardas, pardais, semáforos, radares barreiras
eletrônicas e multas), só um motorista
consciente e responsável irá, independente
de qualquer ameaça, apresentar um comportamento
civilizado no trânsito.
Uma boa engenharia de trânsito é muito
importante. Sinalização adequada e pistas
seguras também. No entanto, não há
nada que impeça acidentes quando o motorista
transgride as leis e sai conduzindo seu veículo
de forma alucinada, utilizando as vias públicas
como pista de teste e desrespeitando as mais elementares
normas de segurança e respeito ao próximo.
Além desse comportamento condenável e
até criminoso, falta ainda ao motorista brasileiro
a prática cotidiana da cooperação
e da gentileza que, no trânsito, resolveriam questões
de relacionamento que a melhor engenharia teria dificuldade
em resolver.
A nossa educação está carente de
princípios e valores morais e éticos bem
definidos. É na primeira infância que a
criança forma os conceitos do bem e do mal, do
certo e do errado. Quando os pais não deixam
essas questões claras para os filhos, a formação
desses conceitos fica prejudicada. Na estrada com a
família, por exemplo, quando ultrapassamos outro
veículo numa curva sob faixa contínua
ou dirigimos em velocidade sempre superior à
permitida estaremos passando de uma maneira muito forte
e clara para nossos filhos que estão ainda em
processo de formação de caráter,
que mentir e enganar são valores que praticamos
sem constrangimento.
Nós definimos nossos valores mais pelos nossos
atos e exemplos do que pelas nossas palavras e sugestões.
Esses comportamentos inadequados, aprendidos na infância,
vão tomando dimensões maiores na adolescência,
vão se enriquecendo com a força do grupo
e terminam nesse “show de agressões”
a que hoje assistimos estarrecidos em nossa sociedade.
Não existe falta de educação no
trânsito. O que existe é falta de educação
mesmo. O trânsito assim reflete o desrespeito
ao próximo, a competitividade exacerbada e inconseqüente
e sobretudo a prática costumeira de sempre levar
vantagem.
Podemos comparar o trânsito a arena onde os romanos
antigos se divertiam de forma sádica. Ao vestimos
nossa armadura - o carro - nós nos tornamos poderosos,
imbatíveis quase imortais. Um outro condutor
e até mesmo o indefeso pedestre, são os
nossos adversários que devemos abater violentamente
e sem piedade. É este o comportamento geral que,
inconscientemente, envolve o motorista imprudente e
agressivo quando.
E de quem é, afinal, a responsabilidade pela
educação para o trânsito? Das autoridades,
dos Centros de Formação de Condutores
e dos Agentes de Trânsito?
No nosso entender é de toda a sociedade que deve
estar comprometida com a cidadania e a qualidade de
vida em busca de um trânsito civilizado e sem
violência.
Fernando Pedrosa
Jornalista e Publicitário. Especialista
em Prevenção no Trânsito.
Ex- Coordenador do Programa PARE do Ministério
dos Transportes
Membro da Câmara Temática de Educação
e Cidadania do CONTRAN 2002/2006
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