Fernando
Luiz Nogueira Pedrosa
Cidadania
no trânsito
Conduzir um veículo exige de todos os motoristas
muito mais do que simplesmente o domínio perfeito
da máquina chamada automóvel. Da mesma
forma, andar como passageiro, seja no banco da frente
ou no de trás, faz de cada um de nós cúmplices
do que acontece na viagem e solidários nas conseqüências,
sejam elas para o bem ou para o mal.
Até o pedestre que circula pelas ruas também
é responsável pela qualidade da circulação
viária em sua cidade. Ele divide com os veículos
o maior espaço democrático do mundo,
popularmente chamado de trânsito. Do grau de
respeitabilidade nessa convivência entre máquinas
e seres humanos depende o grau de harmonia e civilidade
do trânsito. A combinação equilibrada
de todos esses atores e fatores - que tem como absoluta
prioridade a vida e a integridade das pessoas - é
o que costumamos chamar de Cidadania no Trânsito.
Para o condutor a lei exige conhecimentos específicos
e prática comprovada que são, de tempos
em tempos, reavaliadas através da renovação
da CNH. Mas só isso não nos faz um condutor
cidadão. É preciso reconhecer o trânsito
como um espaço público, respeitando
o coletivo. Não estacionar nas calçadas
(que é o espaço do pedestre); respeitar
sempre o sinal vermelho e as faixas de pedestre; evitar
fechar os cruzamentos porque há outros condutores
com as mesmas prioridades que as suas; não
exceder os limites de velocidade, porque há
razões técnicas e de segurança
para isso, é que nos permite criar um trânsito
cidadão.
Para os caronas, é fundamental exercitar a
consciência de "co-piloto", mesmo
que não saibam dirigir e não possam
assumir a condução do veículo.
Ter certeza das condições mecânicas
do carro, das condições de saúde
e cansaço de quem dirige e observar a forma
como conduz são exigências fundamentais
para quem viaja como passageiro.
Aos pedestres, que representam a parte mais fraca
e vulnerável dessa relação ainda
tão conflituosa, é fundamental que prestem
atenção não só ao tráfego,
mas também ao asfalto, às calçadas,
aos semáforos e faixas de travessia, aos muros
de proteção, ao comportamento de outros
pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas.
São esses cuidados básicos, específicos
em cada papel que desempenhamos todos os dias no trânsito
(como motoristas, passageiros ou pedestres) que devem
nortear nossos valores éticos de respeito à
vida.
Tecnicamente, cidadania no trânsito é
o esforço compartilhado do poder público
e da sociedade para a construção de
valores que priorizem o bem-estar coletivo.
E esse esforço começa em casa, no ambiente
familiar, nos exemplos que damos aos filhos em nossa
conduta coletiva. A prática da cidadania no
trânsito torna-se fundamental para a formação
de crianças e jovens capazes de exercitar nas
ruas a cidadania alicerçada em valores de respeito
e segurança.
Afinal, a vida é a prioridade.
Fernando Pedrosa
Jornalista e Publicitário. Especialista
em Prevenção no Trânsito.
Ex- Coordenador do Programa PARE do Ministério
dos Transportes
Membro da Câmara Temática de Educação
e Cidadania do CONTRAN 2002/2006
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