Segurança no Trânsito

Fernando Luiz Nogueira Pedrosa


Celular no veículo: conforto ou perigo no trânsito?

Uma recente decisão do CONTRAN – CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO – proibindo o uso no trânsito de fones de ouvido conectados a aparelhos celulares provocou forte polêmica pública e foi objeto de manifestações apaixonadas de motoristas indignados, que não vêem neste hoje indispensável aparelho de comunicação, risco maior. Mas afinal. Falar ao telefone compromete ou não a segurança no trânsito?

Nos Estados Unidos, país com a maior frota automobilística do mundo e que apresenta índices de acidentes aceitáveis se comparados com outros países desenvolvidos, o celular assim como computadores e televisores portáteis são considerados os grandes vilões no trânsito. Para os americanos, foi-se o tempo em que o risco maior eram motoristas que comiam e bebiam quando dirigiam ou, no máximo, quando consultavam um mapa mantendo um olho na estrada e o outro na rota a ser seguida. Hoje, milhões de cidadãos em todo os EUA distraem-se em outras perigosas situações como falar ao celular, enviar e receber mensagens eletrônicas, ver televisão ou verificar os resultados esportivos em seus sofisticados computadores de bolso.

Especialistas atribuem ao trânsito permanentemente lento, que faz com que as pessoas fiquem cada vez mais dentro de seus carros, a tendência dessas mesmas pessoas transformarem seus veículos em extensões de suas residências e escritórios. Com isso, uma onda de novos acidentes de trânsito está preocupando autoridades, companhias de seguros e organizações civis voltadas para a qualidade de vida. Dados da NHTSA, órgão do Ministério dos Transportes dos EUA responsável pela política de segurança viária, indicam que cerca de 30% das pequenas colisões são ocasionadas por problemas de distração dos motoristas, freqüentemente associadas ao uso de dispositivos móveis de comunicação.

Um trabalho mais detalhado, efetuado pela Associação das Câmaras Legislativas Estaduais, foi mais além. Estima que em 2004, mais de 2 mil norte-americanos vão perder suas vidas com as mãos no volante e ouvidos e atenção no celular.

TECNOLOGIA

O motorista é, também, um consumidor. E como tal, busca incorporar em seu veículo equipamentos e acessórios que ofereçam não só comodidade mas, principalmente, entretenimento e ferramentas de trabalho. Nos EUA, já é comercializado um sistema de som automotivo que tem a capacidade de captar transmissões de rádio por satélite e tocar música no formato digital MP3, depois de baixá-las via internet. Mas isso não chega a ser assim tão surpreendente. O máximo de sofisticação a bordo de alguns veículos em circulação pelas ruas e estradas americanas é uma tela de vídeo em cristal líquido que desce suavemente do teto e que pode ser instalada em caminhões e caminhonetes.

Toda essa fantástica parafernália eletrônica e que tem o dom de encantar – e distrair – condutores e passageiros de veículos automotores acendeu o alerta das autoridades americanas. Em muitos estados, como a Califórnia e New York, o uso de qualquer equipamento eletrônico (o celular principalmente) passou a ser combatido de forma rigorosa e implacável.

ACIDENTES

Apesar de não existir estatísticas precisas e confiáveis no Brasil que indiquem claramente as causas de cada acidente, não há como negar que celulares, aparelhos eletrônicos e sistemas de som que são utilizados durante as viagens representam uma expressiva causa de desatenção do condutor. E, exatamente por isso, são ameaças concretas à segurança da circulação viária. Agentes de trânsito e policiais rodoviários a quem indagamos o porquê da baixa presença desse indicativo nas estatísticas, acreditam ser decorrência do relato dos envolvidos que, invariavelmente, não admitem terem usado esses equipamentos. Admiti-lo, na verdade, é assumir uma conduta irregular, considerada infração de trânsito e que além da multa, pode ser utilizada como um forte argumento da seguradora do veículo acidentado para não pagar o sinistro.


Fernando Pedrosa
Jornalista e Publicitário. Especialista em Prevenção no Trânsito.
Ex- Coordenador do Programa PARE do Ministério dos Transportes
Membro da Câmara Temática de Educação e Cidadania do CONTRAN 2002/2006



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