Fernando
Luiz Nogueira Pedrosa
Caminhão:
"o peso pesado" das rodovias
As carretas e os caminhões são os “mamutes”
da selva do trânsito. Quase indestrutíveis,
essas máquinas poderosas – e muitas vezes
mortíferas – têm inconvenientes próprios
de seu peso e tamanho que precisam ser rigorosamente
observados e respeitados para que funcionem exclusivamente
para aquilo para qual foram concebidas: o transporte
de carga de forma segura e confiável.
Nos Estados Unidos, onde o acidente de trânsito
é tratado com muita seriedade por diversas entidades
públicas e privadas, cerca de 5 mil pessoas morrem
por ano vítimas de acidentes envolvendo caminhões.
O pior dessa estatística é verificar que
a imensa maioria dos mortos não são os
ocupantes do caminhão, mas sim condutores e passageiros
de veículos menores absolutamente indefesos nesse
confronto desproporcional. Nos choques entre dois veículos,
sendo um deles de passeio e o outro grande de carga,
98% das vítimas fatais sairão do mais
fraco.
Por isso, respeitá-los é preciso e compreender
a mecânica, o deslocamento e os limites desses
“gigantes do asfalto” são condições
básicas de segurança e até de sobrevivência
para quem circula sempre ou eventualmente pelas nossas
estradas.
O CANSAÇO....
A fadiga de motoristas está intimamente ligada
aos acidentes de trânsito. Entre caminhoneiros
então essa é uma ameaça constante.
Estudos efetuados em todo o mundo são unânimes
em afirmar que o risco de ocorrências trágicas
aumenta na mesma proporção em que aumenta
a quantidade de horas na condução de um
veículo. Além do cansaço, a jornada
prolongada de muitos caminhoneiros leva a um outro gritante
perigo. O uso descontrolado de estimulantes, verdadeiros
coquetéis químicos conhecidos como “rebites”,
que mascaram o cansaço e dão uma falsa
sensação de energia e disposição.
A FREADA...
Qual é a eficiência dos freios de um caminhão
de carga, esteja ele carregado ou não? Difícil
definir. Mas, com certeza, se comparados aos freios
dos veículos de passeio, as distâncias
para uma frenagem segura de um veículo grande
são muito maiores e a capacidade do motorista
controlar seu veículo é mais limitada.
Em vias escorregadias ou molhadas pelas chuvas, então,
as diferenças são ainda mais acentuadas.
Tudo isso considerando que os equipamentos estejam em
perfeitas condições de uso. Fato esse
não muito comum entre motoristas brasileiros,
sejam eles amadores ou profissionais, que negligenciam
a manutenção preventiva dos itens de segurança
A ALTURA...
Você já ouviu falar em choque com deslizamento?
Se não ouviu, com certeza já viu pessoalmente
ou em fotos terríveis de acidentes publicadas
nos jornais. Tecnicamente é a ocorrência
envolvendo veículos de dimensões diferentes
onde o menor, após o choque, desliza parcial
ou totalmente para debaixo do maior. Nesses casos, a
probabilidade de mortes ou lesões graves de tórax
e cabeça é absoluta. Investigações
sucessivas e estudos internacionais sobre esse tipo
de acidente já produziram algumas medidas de
efeito prático que atenuaram o problema. No Brasil,
a UNICAMP desenvolve um projeto específico, denominado
PROJETO IMPACTO, que promete reduzir significativamente
o efeito guilhotina dos pára-choques rígidos
instalados nas traseiras dos veículos de carga
nacionais.
A VISÃO...
Ver e ser visto. Regra número um da circulação
viária. Durante o dia, caminhões e carretas
são facilmente visíveis. Mas à
noite a situação muda. Desenvolver mecanismos
que possibilitem reconhecer com razoável antecedência
a presença na via de veículos de carga
(geralmente em marcha mais lenta) facilita para o motorista
atento e consciente o ajuste de velocidade e a manutenção
das distâncias com maior exatidão. No Brasil,
para enfrentar esse problema, o CONTRAN baixou a Resolução
N.º 128/01 que passou a exigir a afixação
de fitas de material reflexivo nas traseiras e nas laterais
de veículos de carga.
Artigo produzido a partir de estudos efetuados pelo
INSURANCE INSTITUTE FOR HIGHWAY SAFETY – EUA /
1995.
Fernando Pedrosa
Jornalista e Publicitário. Especialista
em Prevenção no Trânsito.
Ex- Coordenador do Programa PARE do Ministério
dos Transportes
Membro da Câmara Temática de Educação
e Cidadania do CONTRAN 2002/2006
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