Fernando
Luiz Nogueira Pedrosa
A
morte não anunciada sobre as rodas
O Ministério da Saúde adverte: Fumar é
prejudicial à saúde.
O cidadão brasileiro hoje já está
acostumado a ler essa frase que é obrigatoriamente
estampada em qualquer meio de publicidade e divulgação
de ações que contem com apoio e patrocínio
da indústria de fumo no Brasil.
Essa iniciativa representou uma grande conquista da
sociedade que tem garantido por lei o direito de saber
que o fumo, embora tolerado e muitas vezes associado
ao charme e ao sucesso, é um veneno poderoso
que, lentamente, mina a capacidade respiratória
de seus usuários, muitas vezes matando-o.
Informado e orientado, o cidadão brasileiro tem
a liberdade de escolha. O mesmo, entretanto, não
ocorre com outro perigoso "veneno". A condução
irresponsável de veículos automotores.
Muito diferente do fumante, que inevitavelmente conhece
os riscos do seu hábito, o mau motorista, assim
como sua vítima, só descobre o seu poder
letal depois que a tragédia acontece. E contra
os efeitos dramáticos de uma tragédia
no trânsito não há tratamento.
Pouca gente sabe, mas os acidentes de trânsito
no Brasil já é considerado como uma questão
de saúde pública. As estatísticas
indicam que morrem todos os anos mais de 40 mil pessoas
e outras 360 mil ficam feridas, muitas com seqüelas
permanentes. Os recursos que são despendidos
na recuperação dos feridos pela rede pública,
nas indenizações e nas perdas materiais
alcançam valores astronômicos - cerca de
R$ 10 bilhões por ano - que poderiam ser aplicados,
por exemplo, na construção de 500 mil
casas populares, suficiente para atender uma população
como a de Vitória ou Florianópolis. E
o dado mais alarmante: mais de 90% dos acidentes no
Brasil são provocados por falhas humanas. Ou
seja, muito mais que uma via mal conservada ou um defeito
veícular, o que efetivamente está matando
em nossas ruas e estradas é o (mau) comportamento.
Está na hora de uma nova campanha e, se possível,
uma nova lei, que garanta a todo cidadão brasileiro
conhecer esse perigo velado, esse inimigo anônimo,
essa ameaça constante representada pelo excesso
de velocidade, pelo desrespeito ás normas de
circulação e pela imprudência de
maus motoristas.
Por isso, cidadão, o Ministério dos Transportes
adverte:
Um veículo mal conduzido também faz mal
a saúde. Á sua, à minha e a do
próprio irresponsável que o conduz.
Fernando Pedrosa
Jornalista e Publicitário. Especialista
em Prevenção no Trânsito.
Ex- Coordenador do Programa PARE do Ministério
dos Transportes
Membro da Câmara Temática de Educação
e Cidadania do CONTRAN 2002/2006
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