Segurança no Trânsito

Fernando Luiz Nogueira Pedrosa


Álcool e drogras, velhos inimigos

As causas dos acidentes de trânsito no Brasil são uma preocupação antiga da ABDETRAN. Já em 1997, a associação divulgava um relatório pioneiro: "Impacto do uso de álcool e outras drogas em vítimas de acidentes de trânsito".

A pesquisa, feita com 1.114 vítimas de maior gravidade de acidentes de trânsito em Recife, Salvador Brasília e Curitiba, indicou que em 61% dos casos havia algum nível de álcool no sangue das vítimas (a partir de 0,1g/l), sendo que em cerca de 27,2% o valor encontrado excedia ao limite previsto no Código de Trânsito Brasileiro (0,6g/l).

O grupo de 20 a 29 anos foi o que apresentou maiores níveis de alcoolemia (nível de álcool no sangue), chamando a atenção, entretanto, a identificação de 47,7% de alcoolemia positiva entre os adolescentes e jovens, sendo 10,3% acima de 0,6g/l. O uso de maconha foi verificado em 7,3% dos casos, a cocaína em 2,3% e os diazepínicos em 3,4%.

Houve uma maior concentração dos acidentes no fim de semana (43,3% do total), e especialmente entre as 14h e 20h (43,8% do total). O tipo de acidente predominante para o conjunto da amostra foi a colisão (33,2%), seguido do atropelamento (26,7%). As características principais das vítimas revelaram um perfil em que prevaleciam os homens (71,5%), adultos jovens (idade média de 27 anos), com baixo nível de escolaridade (83,4% até o primeiro grau) e solteiros (56,4%). A pesquisa revelou ainda que 52,9% dos acidentados pesquisados não usavam cinto de segurança; no caso dos motociclistas, 47,9% não usavam capacete; 21,9% dos entrevistados disseram não possuir habilitação.


Fernando Pedrosa
Jornalista e Publicitário. Especialista em Prevenção no Trânsito.
Ex- Coordenador do Programa PARE do Ministério dos Transportes
Membro da Câmara Temática de Educação e Cidadania do CONTRAN 2002/2006



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