Fernando
Luiz Nogueira Pedrosa
Álcool
e direção: a luta nos países desenvolvidos
“Dos 8 mil franceses mortos por ano em conseqüência
dos acidentes de trânsito, 30% estavam alcoolizados.
Essa constatação motivou o governo francês
a tratar o problema como uma questão de saúde
pública, mobilizando não só os
médicos mas, principalmente, juristas, advogados
e educadores num esforço muito mais preventivo
do que educativo”.
A afirmação acima foi feita pelo Médico
Psiquiatra Christian Py, Coordenador do Centro Hospitalar
de Alcoologia Clínica de Paris, que participou
no Rio de Janeiro do 1º Encontro Alcoolismo e Saúde
Pública, organizado pelo Hospital Escola São
Francisco de Assis, que está implementando uma
atividade inédita no país de plena atenção
à vítima de trânsito. Vinculado
à Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Hospital
desenvolveu um Núcleo de Atendimento Integrado
ao Acidentado de Trânsito - NAIAT que, além
das rotinas médicas normais para o tratamento
dos traumas, inclui ainda atividades preventivas e educativas,
atividades fisioterápicas de recuperação
e atendimento social e psicológico de ressocialização.
Como figura de destaque do Encontro o Dr. Christian
Py fez algumas revelações importantes
e sugeriu aos participantes brasileiros desenvolverem
a mesma estratégia que a França e outros
países desenvolvidos estão aplicando para
enfrentar a ameaça de condutores alcoolizados.
Segundo o médico francês, a ALCOOLOGIA
(ciência já reconhecida na Europa) sugere
uma abordagem e um tratamento multidisciplinar, através
de uma visão articulada que combina educação
preventiva, medicina convencional e repressão
legal como forma de erradicar a doença.
OS RESULTADOS NO MUNDO
Segundo Doutor Py, autoridades de sete países
desenvolvidos reunidos no final do ano passado em Haia
na Holanda, divulgaram os resultados das investigações
sobre o número de pessoas que dirigem após
o consumo de bebidas alcoólicas. De uma maneira
geral, os índices de condutores alcoolizados
envolvidos em acidentes de trânsito têm
diminuído discretamente.
Na Austrália, a proporção de ocupantes
de veículos automotores vítimas fatais
de acidentes de trânsito onde se constatou índices
de álcool superiores ao permitido pela lei baixou
de 44%, em 1981 para 30% em 1992. Importante destacar
que o limite permitido na Austrália na década
de 80 variava entre 0,5% e 0,7% gramas por litro de
sangue dependendo do estado. Hoje os limites tolerados
variam entre 0,2% e 0,5%.
No Canadá, os motoristas que sofreram lesões
fatais contando com índices de álcool
no sangue elevados no ano de 1990 foi 35% menor do que
o registrado em 1980.
Na Alemanha, a avaliação não considerou
apenas aquelas que ultrapassaram os limites legais.
Todas as vítimas fatais de acidentes que apresentaram
algum índice de álcool no sangue foram
avaliadas. Nessas, os dados de 1990 comparados com os
de 1975, baixaram 44%.
Na Suécia, onde o limite legal é o mais
baixo de todos os países avaliados (0,2% gramas
de álcool no sangue) a média da presença
de álcool nas vítimas fatais era 8 vezes
maior do que o tolerado pela legislação.
A análise desses dados apresentados pelo Dr.
Christian Py leva-nos à conclusão de que
houve uma verdadeira mobilização pública
e institucional em muitos países para tratar
o problema e que as medidas adotadas foram todas muito
similares. Mudanças na legislação
estabelecendo limites mais rigorosos relativos ao consumo
de álcool por motoristas, controle e fiscalização
permanente do cumprimento da legislação
assim como o fortalecimento de organizações
não governamentais e de grupos de vítimas
dedicados à causa do álcool e direção
formam a receita que deve ser prescrita contra esse
mal social que aflige de forma dramática paises
em todo o mundo.
Fernando Pedrosa
Jornalista e Publicitário. Especialista em
Prevenção no Trânsito.
Ex- Coordenador do Programa PARE do Ministério
dos Transportes
Membro da Câmara Temática de Educação
e Cidadania do CONTRAN 2002/2006
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