RECALL

A CAIXA-PRETA DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA

Com a entrada em vigor, em 1990, do Código do Consumidor, a relação entre montadoras e proprietários de veículos mudou. Muitos passaram a ser chamados para comparecer à concessionária, a fim de checar eventuais problemas, que poderiam comprometer a segurança do veículo. É o chamado “recall” (chamada de volta).
Através desse “recall”, as montadoras previnem problemas, desgate da imagem do produto e da empresa e, principalmente, ações judiciais.
Mas, o “recall” trouxe à tona a discussão sobre a qualidade dos veículos nacionais. Afinal, segundo editorial publicado no Jornal da Tarde, de São Paulo, em setembro de 1997, de cada 10 carros fabricados no Brasil dois eram convocados pelas montadoras para checar possíveis defeitos graves. Naquele ano, foram mais de 300 mil veículos.
Os recalls são, quase sempre, de problemas que podem colocar o proprietário em risco. São air bags que podem inflar inesperadamente, cintos de segurança e freios que podem não funcionar, carros que pegam fogo sozinhos.

“...em setembro de 1997, de cada 10 carros fabricados no Brasil dois eram convocados pelas montadoras para checar possíveis defeitos graves.”

O cardápio é variado e assustador. As montadoras não demonstram interesse de falar sobre o tema. A RDE – Revista das Estradas tentou, por três meses, informações detalhadas sobre todos os veículos que já passaram por recall no Brasil e apenas a Volkswagen enviou a relação completa e a Fiat, somente dos últimos três anos. Pesquisar pela internet também é difícil, pois nos sites das montadoras não aparece nenhuma informação sobre o assunto. É uma verdadeira caixa-preta, cercada de mistério, principalmente porque as empresas alegam desconhecer a existência de acidente grave, ocorrido em função de defeitos nos veículos convocados para recall.
Para quem vai comprar um carro usado é fundamental saber se o veículo foi objeto de recall e se o proprietário tomou as providências necessárias. Já na avaliação de Roberto Sharp , assessor de imprensa da GM, esse tipo de informação é de interesse exclusivo do proprietário do veículo.
Mas, nos EUA, um site do governo (www.nhtsa.dot.gov) dá a lista completa dos veículos convocados nos últimos 40 anos e os respectivos defeitos. A preocupação das montadoras é natural. Afinal, no último mês de julho, a GM, segundo a imprensa, foi condenada, nos EUA, a pagar US$ 4,9 bilhões para Patrícia Anderson e sua filha, que sofreram graves queimaduras, devido à explosão de um tanque de combustível de um modelo da chevrolet. A Ford também foi condenada, em processo semelhante, a pagar US$ 295 milhões, mas, poderá recorrer.
Obrigadas a comunicar, através de meios de comunicação, a existência de um recall, as montadoras e importadoras utilizam linguagem absolutamente técnica, no mais puro estilo “rebimboca da parafuseta”. A Chrysler, para dizer que os freios da Dakota podem não funcionar, informou assim: “Constatamos a possibilidade, ainda que remota, de insuficiência do torque necessário à adequada fixação de conjuntos de pedaleira/servofreio/cilindro-mestre da embreagem.” A GM convocou proprietários de Astra 99 “por existir a possibilidade de, em alguns veículos, a junta universal desacoplar-se da árvore de direção, levando a anulação do controle direcional.” Tradução: o motorista pode perder o controle da direção e “acoplar-se” a uma árvore na estrada, conforme bem observou Elio Gaspari, em artigo, na Folha de S. Paulo.
Segundo Rui Maldonado, do Procon do Rio de Janeiro, é obrigação das empresas utilizarem linguagem acessível ao consumidor. E alerta que, o número de recalls no Brasil, principalmente em 1997, “é uma catástrofe do ponto de vista técnico”, adverte o professor Maldonado, que é também Gerente do Programa de Estudos e Desenvolvimento do Consumidor da UERJ.

“...as montadoras e importadoras utilizam linguagem absolutamente técnica, no mais puro estilo rebimboca da parafuseta para comunicar os defeitos ao consumidor.”

O recall é gratuito, segundo as montadoras, mas um proprietário de veículo convocado, que resida numa cidade, sem concessionária ou oficina autorizada, deverá arcar com as despesas de viagem, pois as montadoras não oferecem nenhum tipo de ressarcimento ao cliente.
Outro aspecto importante é a falta de perícia. Segundo Fernando Pedrosa, Coordenador do Programa de Redução de Acidentes nas Estradas (PARE) do Ministério dos Transportes, faltam “investigadores independentes de acidentes de trânsito, sem vínculo com o governo ou empresas”. Um motorista que morra ao atravessar a pista e bater numa carreta, poderá ser considerado imprudente ou até acusado de ter dormido ao volante. Mas, sem perícia adequada, fica difícil comprovar a verdadeira razão, principalmente quando o veículo é novo e foi objeto de recall. O Instituto de Criminalística de São Paulo, por exemplo, não é informado dos recalls realizados pelas montadoras. Segundo o Assistente Técnico da Diretoria, José Carlos Laguarda, caso o perito tivesse essa informação, facilitaria muito a investigação. As Polícias Rodoviárias Federal e Estaduais também não são informadas. Muito menos a Justiça e as Seguradoras, em casos de acidentes.


A CHRYSLER DO BRASIL CONVOCA PROPRIETÁRIOS DE STRATUS, MODELOS 98 E 99

A DaimlerChrysler Corporation constatou a possibilidade, ainda que remota, da seguinte ocorrência em algumas unidades Chrysler Stratus, modelos 98 e 99: o tubo do freio traseiro, lado direito, pode estar em contato com a braçadeira do tubo de escapamento. O contato prolongado entre as partes pode, eventualmente, causar a ruptura do tubo e vazamento do fluído, resultando em uma perda parcial do sistema de freio e distância maior na frenagem.
Mesmo que tal ocorrência tenha sido constatada somente em algumas unidades, por medida de segurança, a Chrysler do Brasil está convocando os proprietários dos veículos listados abaixo a comparecer à concessionária autorizada Chrysler de sua preferência para verificação e, se necessário, realização dos reparos pertinentes gratuitamente.

Lista de Chassis:
De VN 101362 até VN 207441 - De WN 211649 até WN 550823 - De XN 687104 até XN 687180

Obs.: Entre os intervalos acima citados, existem veículos que não foram destinados ao mercado brasileiro.

A Chrysler do Brasil coloca à disposição de seus clientes, em caso de dúvida ou para maiores esclarecimentos, o telefone 0800 17 4600, de 2ª a 6ª feira, das 8h às 20h. A ligação é gratuita.
O prazo de validade para atendimento desta convocação é de 90 dias a partir desta data.
Com estas iniciativas, visamos assegurar a máxima satisfação de nossos clientes, garantindo a qualidade, segurança e confiabilidade de nossos produtos.

Chrysler do Brasil Ltda.


ALGUMAS DAS MAIORES CONVOCAÇÕES
Marca/ Modelo/ Ano - Defeito
FIAT/ Tipo/ 1993, 94 e 95 - Direção hidráulica e mangueiras de combustível
Daimler-Chrysler/ Dodge Caravan/ 94 e 95 - Airbag
GM/ Omega CD/ 99 - Airbag
BMW/ Série 3/ 99 - Freios e Airbag
FORD/ Escort Station Wagon/ 97 e 98 - Aros das rodas de aço
FORD/ Courier Catálogos P415 e P416/ 98 - Aros das rodas de aço
VOLKS/ Gol 1.6, 1.8 e 2.0/ 96 e 97 - Direção Hidráulica
GM/ Astra GLS e GL/ 99 - Junta de direção
Chrysler/ Dodge Dakota/ 98/99 - Cinto de segurança e freio
GM/ S-10 e Blazer/ 96 e 97 - Suspensão


Caso você tenha conhecimento de algum modelo de
veículo que passou por recall, informe aqui.


Nos últimos tempos vem crescendo o número de montadoras que chamam proprietários de automóveis para reparar gratuitamente defeitos de fábrica. Aqui no Brasil só acontece o recall com a iniciativa da empresa, ao contrário dos EUA, onde o governo obriga a montadora a fazer a convocação, quando necessária. A seguir, uma lista de alguns recalls no Brasil desde 1990.

Ano de convoção - Veículo ano /modelo - Motivo
CHEVROLET
1990 - Kadett/Ipanema 90 - Troca do cabo solenóide da marcha lenta do carburador
1991 - Opala/Diplomata/Comodoro 91 - Recalibragem da válvula proporcionadora do cilindro mestre do freio.
1991 - Monza/Kadett/Ipanema a gasolina 91 - Troca dos protetores da mangueiras do canister
1992 - Omega 93 - Troca da mangueira da bomba de combustível
1992 - Chevette/Chevy 500 92 - Troca do módulo do sistema de ignição
1994 - Picapes Bonanza/Veraneio 93 - Troca de componentes do sistema de freio traseiro - em alguns também do cabo do freio de estacionamento, sapatas e válvula proporcionadora
1994 - Corsa 94 e 95 - Troca da caixa de direção
1995 - Monza 4 portas 93, 94 e 95 - Troca dos parafusos de fixação do cinto de segurança dianteiros com regulador de altura da coluna central
1996 - S 10/Blazer 96 - Troca das mangueiras flexíveis dos freios dianteiros
1996 - Vectra 97 - Inspeção dos braços inferiores de controle da suspensão
1997 - Vectra 98 - Troca das porcas de fixação do subchassi traseiro e dos suportes dos braços de controle traseiro
2000 - Corsa/S 10 e Blazer 2000 - Verificação do sistema de direção
FORD
1995 - Fiesta importado - Instalação de presilhas no conector do tubo de combustível
1996 - Fiesta (toda a linha) - Troca da mangueira de alta e baixa pressão do sistema hidráulico da embreagem e reparo do cilindro-mestre e das gaxetas do sistema de freio
1996 - Versailles/Royale 93 a 96 Escort/Verona 94 a 96 - Troca das mangueiras de alimentação e retorno de combustível
1996 - Escort/ Verona/ 95 Caixa de direção hidráulica defeituosa
1998 - Escort/Mondeo/Scorpio/98 Luz do air-bag do painel ascende frequentemente
FIAT
1991 - Uno 1.5 R/1.6 R 89 a 91 - Troca das rodas de liga leve
1992 - Uno/Elba/Prêmio/ linha comercial 91 e 92 - Troca da central de ignição incorporada ao distribuidor
1993 - Tempra 92 e 93 - Troca do tubo tomada de vácuo do servofreio
1996 - Tipo 1.6 importado 93, 94 e 95 - Troca do tubo convergedor do ar quente, das tubulações de combustível e da mangueira de óleo da direção hidráulica
1997 - Tempra Turbo Style 94 a 97 Tempra 8V e 16V (exceto Turbo e Style) - Troca do cilindro-mestre servofreio, dos tubos de combustível e de recirculação do óleo no radiador. Verificação e troca das rodas de liga-leve VOLKSWAGEN
1996 - Santana/Quantum/Logus/Pointer/Gol/Parati equipados com injeção eletrônica de 93 a 96 - Troca das mangueiras de alimentação e retorno de combustível
1997 - Gol/Parati/Saveiro 97 - Troca do parafuso de fixação da coluna de direção mecânica
1997 - Gol/Parati/Santana/Quantum 96 e 97 com direção hidráulica - Troca do suporte fixado ao bloco do motor CHRYSLER
1997 - Neon e Jeep Grand Cherokee 97 - Troca do módulo de controle eletrônico do air-bag
1997 - Dodge Dakota 97 - Verificação do cinto de segurança e do torque de aperto dos parafusos que fixam o conjunto de pedaleira/servofreio/cilindro-mestre da embreagem
2000 - Gol 1.0/ 99 Problema no engate da primeira e da segunda marcha
CHRYSLER
1997 - Neon e Jeep Grand Cherokee 97 Troca do módulo de controle eletrônico do air-bag
1997 - Dodge Dakota 97 Verificação do cinto de segurança e do torque de aperto dos parafusos que fixam o conjunto de pedaleira/servofreio/cilindro-mestre da embreagem
MERCEDES-BENZ

1996 - Série C 95 - Troca da trava do capô
1999 - C,E,S e SL /95/96 Bolsa inflável do motorista
1999 - Classe M/ Chassi até n° A134522 Fivela do cinto de segurança
AUDI
1994 Audi Avanti 80 2.6 Irregularidade no miolo da ignição
1995/96 A4 ,A6, A8 Luz do air-bag do painel ascende freqüentemente
RENAULT
1997 Laguna, Clio e Twingo Luz do Painel ascende freqüentemente PORSCHE
1996 Porsche 911/96 Luz do air-bag do painel ascende freqüentemente

TELEFONES DE ATENDIMENTO DAS MONTADORAS
GENERAL MOTORS - 0800-19-4200
FORD - 0800-90-3673
FIAT - 0800-99-1000
VOLKSWAGEN - 0800-19-5775
CHRYSLER - (11) 3747-7000
MERCEDES-BENZ - 0800-11-4044