Notícias de Recall


CG 125 Titan - Uma grande mancada da Honda

Um novo tipo de filtro de ar colocado nas CG 125 Titan feitas entre fevereiro e outubro de 2000, está trazendo problemas a seus proprietários, com falhas no motor, alto consumo, baixo desempenho e até quebra do motor. Tanto é verdade que as novas já estão saindo com uma modificação no sistema. Mas a fábrica não fez “recall” e quem quiser arrumar o filtro, com um “kit” que a fábrica desenvolveu para solucionar o problema, ainda deve pagar por isso…
O filtro de ar, uma espécie de “nariz” da moto, quando obstruído provoca sérios danos e maior consumo do motor. Este foi o caso de um grande lote da campeã de vendas CG 125. Um defeito que a fábrica tentou fazer passar despercebido
NOVO FILTRO - Feito com papel mais poroso, demora mais a saturar
O problema surgiu, segundo Nilo Caruso, gerente de pós venda da Honda, porque a fábrica resolveu adiantar-se às normas ambientais de emissão de poluentes que o Conama somente irá exigir nos veículos fabricados a partir de 2003. Para isso desenvolveu um novo filtro de ar, baseado no que a fábrica adota no Japão. Até ai tudo bem, afinal qualquer modificação que ajude a diminuir a poluição ambiental sempre é bem vinda. Mas o que aconteceu é que o filtro, que teve de ser importado do Japão - elevando seu custo inclusive -, não se mostrou bem adaptado às condições brasileiras.
Muita poeira (sic!), condições severas de uso (sic!) e até excesso de óleo no cárter do motor (o cárter comporta apenas 900 mililitros, mas como só existem embalagens de um litro no mercado, até nas concessionárias se coloca o excesso) que ao evaporar, através do suspiro do motor, encharca o sofisticado filtro, são os problemas que a fábrica justifica para ter feito a nova modificação.
Até ai tudo bem. Afinal melhorias sempre são bem vindas. O que não é correto é deixar de avisar a todos os proprietários das motos atingidas que está sendo feita a modificação (só quando alguém reclama na concessionária é que ela é feita) e cobrar por isso.
Exatamente: apesar da fábrica assumir o custo, tem várias concessionárias que estão cobrando pela modificação “por fora”, como se não fosse uma obrigação já que é um defeito de fabricação! Ele é “vendido” entre R$ 15,00 e R$ 16,00, com algumas concessionárias cobrando ainda a mão de obra, R$ 12,00, para sua instalação. Isso sem falar da substituição do elemento de papel do filtro de ar danificado exatamente pela falta do kit!. Mais R$ 15,00.
Só que nesse caso, a troca é qualificada como item de manutenção normal pela própria fábrica, portanto, sujeito à cobrança. Um verdadeiro assalto ao bolso do consumidor!
Assim, se você tiver uma moto produzida de fevereiro a outubro de 2000, vá até um concessionário e exija que seja feita a modificação e sem custo.
Novo “kit”
ABSURDO - O kit só é instalado se o consumidor reclamar muito...

O “kit” é composto de uma câmara (caixinha de plástico), instalado entre o respiro do motor e o filtro de ar, além de presilhas e nova agulha do carburador. Segundo dados da Abraciclo, Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, entre fevereiro e outubro de 2000, foram vendidas 232.222 unidades de modelos CG Titan e Cargo, com o filtro de ar equipado com o elemento de papel “problemático”. Não se tem notícia de quantos proprietários instalaram o kit. O certo é que a maioria dos donos de CG, adaptaram, por conta e custo próprio, elemento de espuma, como eram as motos 99, por exemplo, no lugar do filtro de papel, para se verem livres do excesso de consumo, falhas, perda de rendimento e até quebras do motor.
Como funciona:
A caixinha do kit, impede que o vapor de óleo atinja o filtro, condensando-o em seu interior. O próprio filtro foi substituído por outro feito com um papel menos sofisticado, mais “poroso” e barato, mas que mantém as emissões de gases dentro das às normas ambientais atuais. As motos zero quilômetro já vêm com a modificação de fábrica. Por isso ficam as perguntas: por que não foi adotado antes e por que não foi feito um recall?
A Honda diz que o recall não foi feito porque, segundo a legislação, só é obrigatório para itens de segurança, o que não é o caso do filtro... E, o que é pior, segundo a fábrica a moto foi projetada para utilização “normal” e média. O uso extremado, em condições severas e com muita poeira estavam fora das suas previsões. Será que a Honda esqueceu que poeira no Brasil não é tão difícil de ser encontrada? Ou que as CG, feitas desde 1976 no Brasil, nunca apresentaram esse tipo de problema e até hoje andam nessas condições “extremadas”, motivo pelo qual a moto faz tanto sucesso no País? Parece que, convenientemente, esqueceu…

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