Recall
não afeta a imagem do produto
O recall, palavra de origem inglesa adotada pelos fabricantes
para "chamar de volta" o consumidor quando detectado
algum problema no produto ou serviço oferecido, tem
sido muito utilizada no setor automotivo nos últimos
anos. Mas este chamado público de "defeito"
prejudica a imagem da marca ou do produto?. "Não".
É o que garante Marco Antônio Lage, diretor
de comunicação social da Fiat. "O recall
demonstra atitude de respeito da montadora em relação
ao consumidor, considerando que, ao identificar qualquer
possibilidade, mínima que seja, de eventual falha
em seu produto, que possa comprometer a segurança
do cliente, age para reparar o erro", afirma Lage.
No
mais recente recall, a Fiat chamou 60 mil proprietários
da antiga família Palio para avaliação
da central eletrônica de comando do air bag. Alguns
automóveis dos modelos Palio, Palio Weekend e Siena
fabricados entre 1996 e 2000 apresentaram defeito na vedação
do sistema, podendo acionar involuntariamente o air bag.
Na época, a montadora também convocou 5,5
mil donos de Uno Smart e Fiorino (fabricados entre fevereiro
e março de 2001) para substituir o fecho do afivelamento
dos cintos de segurança dianteiros. Para Lage, a
empresa não perde a credibilidade perante os consumidores
se convocar o recall com rapidez e transparência.
"Ao contrário, até fortalece a marca",
acredita.
Para
a Ford, no entanto, a história não tem sido
tão favorável. Em maio de 2001, quando a montadora
divulgou a substituição de 13 milhões
de pneus Firestone Wildnerness AT 15 e 16 polegadas, modelos
P235/75 R15 e P255/70R16, o valor das ações
da empresa e as vendas do modelo Explorer caíram
desde o recall.
A Ford anunciou a necessidade da troca dos pneus em várias
partes do mundo, após testes e levantamentos feitos
com o pneu pela própria montadora, pela Firestone
e pelo órgão norte-americano NHTSA (Administração
Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário),
que não proporcionaram garantia quanto à durabilidade
do produto.
O episódio, apesar de ter refletido nas vendas, de
acordo com a Ford reforçou mais uma vez a política
de satisfação dos clientes da marca e o cuidado
com a segurança das pessoas. "Anunciado o recall,
em nenhum momento, o fator negativo à credibilidade
do veículo é levada em consideração,
visto que o objetivo principal é preservar a integridade
dos clientes, independentemente do custo ou dano à
imagem do produto", informa a assessoria de imprensa
da montadora.
A General Motors, que já foi criticada pelo recall
considerado tardio para os cintos de segurança da
linha Corsa, e que promoveu recall também para o
Celta, não quis se pronunciar sobre o assunto. A
Volkswagen, que já efetuou recall na linha Gol, informou
que as pessoas autorizadas a comentar sobre o tema estavam
fora do País.
Concessionárias
são fundamentais para o recall
Em todas as convocações de recall realizadas
pelas montadoras, a troca de peças é realizada
gratuitamente em qualquer concessionária da rede
da marca, o que dá às distribuidoras papel
de destaque neste processo.
Segundo o gerente da Fiat, a distribuidora de veículos
tem a importante função de, não apenas
realizar o reparo como também de esclarecer o cliente
sobre a operação que está sendo efetuada,
tranqüilizando-o quanto à decisão tomada
pela montadora.
Para Ulisses de Assis Pires, diretor da Jardins S/A Veículos
e Peças, concessionária da marca General Motors,
localizada em São Paulo, o recall apresenta duas
facetas que influenciam o mercado. Em sua avaliação,
o procedimento pode ofuscar a imagem do produto mas, ao
mesmo tempo, gerar confiança nos consumidores na
medida em que a fábrica decifra defeitos e elimina
o problema.
Na assistência técnica, o recall altera o dia-a-dia
da concessionária devido ao aumento do volume de
veículos que necessitam de reparos. No entanto, segundo
Pires, só chega a atrapalhar o andamento dos serviços
prestados pela empresa quando não há agendamento
para a realização da troca da peça.
Caso, por exemplo, do recall do cinto de segurança
do Corsa. "O atendimento era efetuado na hora. Procedimento
adotado pela marca para ganhar mercado e reconquistar clientes",
revelou o diretor.
Já Amauri Araújo de Souza, gerente de assistência
técnica da Biguaçu, concessionária
da Volkswagen, instalada em São Paulo-SP, acredita
que o recall não atrapalha o departamento de assistência
técnica, pois a concessionária desloca um
mecânico só para checar e substituir a peça
indicada pelo recall. Além disso, dependendo do tipo
de serviço e da demanda anunciada pelo recall, há
necessidade de agendamento, o que possibilita encaixar os
reaparos dentro do fluxo de programação da
empresa.
Os serviços prestados pelas concessionárias
aos consumidores, no caso de recall, são pagos pelas
montadoras, que utilizam a hora garantia, baseada no tempo
de execução do reparo.
Conheça
um pouco da história do recall
ANO
1999:
* Em fevereiro de 1999, a Renault chamou os proprietários
do modelo Clio 3 e 5 portas de volta para as concessionárias
com suspeita de que alguns veículos desta modalidade
pudessem apresentar vazamentos nas mangueiras de combustíveis,
o que poderia provocar a combustão.
* Em maio, foi a vez da General Motors (GM) realizar recall
no Omega CD (ano de fabricação 1999), devido
à possível falha no módulo de comando
do air bag, que poderia acioná-lo involuntariamente.
* Em junho, a Chrysler do Brasil constatou ineficiência
de componente do cinto de segurança e de torque necessário
para fixação do conjunto de pedaleira, servo-freio
e cilindro-mestre em algumas picapes Dodge Dakota (1998
e 1999). A BMW do Brasil, no mesmo mês, identificou
falha na programação do software que controla
o acionamento dos air bags laterais.
* Em agosto, a GM promoveu recall em seu modelo Astra GLS
e GL (1999) com coluna de direção regulável
devido à possibilidade da junta de direção,
desacoplar-se da árvore de direção,
o que faria o motorista perder o controle direcional do
veículo.
* Final do ano de 1999, a Mercedes-Benz do Brasil convocou
os proprietários da linha C, E, S e SL (1995 e 1996)
em conseqüência de defeito da bolsa inflável
do motorista, em alguns veículos da marca. O modelo
Classe M não escapou, tendo que ser trocada a fivela
do cinto de segurança.
ANO
2000:
* Já no início de 2000, a GM quis verificar
a coluna de direção da S-10 e da Blazer (2000),
pois, acreditava-se que poderia ocorrer a soltura de um
dos componentes de fixação. Além disso,
teve problemas também com a caixa de direção
do Corsa 2000 com direção hidráulica.
Em seguida, a Renault fez nova convocação
de seu modelo Clio.
* Em abril, a Chrysler do Brasil identificou defeito na
fiação que ativa os air bags da Caravan e
Grand Caravan (fabricadas de 1993 a 1995), o que poderia
acioná-los indevidamente.
* Em maio, a Chrysler convocou os proprietários do
Startus (fabricados entre1998 e 1999) com possível
falha no tubo de freio (lado direito), que poderia rompê-lo
ao entrar em contato com o tubo do escapamento.
* No meio do ano, a Volkswagen do Brasil, com suspeitas
de defeito no sistema de fechamento das portas traseiras
do Gol 2 p Special, Geração III, Santana e
Quantum chama os proprietários dos modelos para os
devidos reparos.
* Em julho, a Renault verificou falha no acelerômetro
do calculador dos air bags do Twingo 1.2 e 1.2 Pack (fabricados
entre1998 e 1999).
* A Volkswagen e Audi, em setembro, repararam solda do sistema
de suspensão dianteira do Golf e Audi A3. No mesmo
mês, a Ford constatou possível ruptura do eixo
da caixa de direção da F-400.
* Em outubro, a Chrysler do Brasil realiza recall na Dodge
Ram (fabricados entre 1994 a 1996) devido defeito de fiação,
e a GM repara o cinto de segurança de toda a linha
Corsa (versões até 1999). No mesmo mês,
a GM convoca os proprietários de todos os modelos
de Tigra com o mesmo problema e a Fiat chama os donos de
Palio 1.0, Siena 1.0, Palio Weekend 1.0 e picape Strada
(fabricados a partir de 1998) a reparar defeito no cinto
de segurança.
* Em novembro, a Mitsubishi Motors identifica falha na solda
do tanque de combustível no modelo Galant V6 Hatchback
e danos na coifa dos modelos Galant e Eclipse (1994 e 1995).
A Volvo, no mesmo mês, constata falha na suspensão
dianteira do S80 e V70 e a GM, identifica problema semelhante
no Celta (2000).
* No final do ano, a Chrysler do Brasil verifica defeito
no diafragma do servo-freio do Jeep Cherokee Sport (1998)
e do Jeep Wrangler (1998), além de identificar falha
no acionamento do air bag no Jeep Cherokee (1997 a 1999).
A Renault realiza troca de componente do sistema de embreagem
no Kangoo 1.0 e 1.6 (1999 e 2000). O segmento de motos também
não saiu imune. A Honda, no mesmo ano, chama os donos
da CBR 900 RR (2000) com possível defeito no sistema
de embreagem.
* Nos últimos dias de 2000, a Chrysler do Brasil
constata defeito nos parafusos que regula o cinto de segurança
do modelo 300 M (anos 1999 e 2000), falha na substância
de anéis em seu modelo Chrysler Vision e Dodge Intrepid
(anos 1993 a 1997) e também diagnostica a necessidade
de reparar a estrutura do volante do veículo Plymouth,
Voyager e Grand Voyager (fabricados em 1993 e 1994).
ANO
2001 (ATÉ JUNHO):
* Em 2001, a Fiat faz recall devido ao possível desgaste
dos tubos de condução do combustível
da picape Strada 1.6, 16 V e do Palio, Palio Weekend 1.6,
16V (1998 a 2000).
* Em fevereiro, a GM constata possibilidade de soltura do
cinto de segurança de toda a linha Corsa com air
bags. No mesmo mês, a DaimlerChrysler identifica defeito
na articulação que liga as partes dianteira
e traseira da plataforma articulada dos veículos
Mercedes-Benz O-400 UPA articulado.
* Em maio, os proprietários dos veículos Explorer
precisam realizar troca dos pneus.
* Em junho, a Fiat convoca os donos do Uno Smart e Fiorino
(entre fevereiro e março de 2001) para reparos no
cinto de segurança e identifica também falha
na drenagem na caixa de ar e na central eletrônica
de air bag dos veículos Palio, Palio Weekend e Siena
(1996 a 2000).
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