Falha no air bag do Palio Weekend já
causou cinco vítimas
Equipamento de segurança, que só deve funcionar
em caso de acidente, estaria estourando sem motivo. A empresa
informa que as falhas foram provocadas por razões
diferentes
Os
air bags do modelo Palio Weekend da Fiat estão estourando
sem motivo.
Pelo
menos é o que aconteceu com cinco veículos.
As vítimas afirmam que a bolsa de ar, que deveria
proteger em caso de batida, inflou sem motivo. Com o estouro
do air bag, os passageiros tiveram escoriações
e queimaduras no rosto. A Fiat diz que investiga os casos.
Umas
das vítimas foi Marta Bezerra, de Itabuna (BA). Em
30 de março, o air bag de seu carro, fabricado em
99, estourou quando ela estava saindo de um supermercado.
Segundo Alberto Bezerra, marido de Marta, o carro "não
estava nem em movimento". "Ela virou a chave no
contato e o air bag explodiu."
Alberto
afirma que a bolsa de ar não chegou a inflar. "Os
gases que fazem o air bag se encher vazaram." Com isso,
diz ele, o rosto de Marta ficou queimado. A perícia
comprovou que oxidações na caixa que protege
o air bag criaram um curto-circuito, que originou na explosão
dos gases. Segundo Alberto, a Fiat foi contatada. "Eles
mandaram dois engenheiros que levaram as peças, como
o volante, para análise."
A
Fiat informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que
se for responsável pelo acidente não vai fugir
das responsabilidades. No entanto, diz que existem várias
hipóteses para o acidente, ou seja, pode ter sido
um curto-circuito causado por um alarme ou um rádio
mal instalado e que não sejam de fábrica.
Outro
caso que coloca a qualidade do air bag em dúvida
é o da gaúcha Cláudia Endres, 31 anos.
O acidente, que aconteceu em Porto Alegre (RS), deixou Cláudia
dentro de casa durante um ano. Segundo ela, o air bag de
seu Palio Weekend, fabricado em 97, inflou quando fazia
uma curva a uma velocidade de 30 km/h.
Cláudia
teve o rosto queimado e machucado devido ao forte impacto
da explosão. "Foi horrível. Uma sensação
indescritível." Ela levou o carro em uma concessionária
para que o conserto fosse efetuado. Lá, Cláudia
foi informada que só teria o carro consertado se
não fosse feita uma perícia.
Ela
concordou com a condição, mas logo depois
do ocorrido procurou a advogada Luciana Martinez, que foi
pesquisar sobre o assunto. "Especialistas me disseram
que a água do ar-condicionado cai em cima do sistema
elétrico do air bag. Isso fez entrar em curto-circuito
e explodir. Vamos pedir indenização."
A Fiat diz que não foi procurada e informada sobre
o assunto.
Além
deste caso, há também o de Belle Annie Ferreira
de Lima, 35 anos, que também tinha um Palio Wekeend
97. No caso dela o air bag não funcionou. "Eu
bati o carro e o air bag não funcionou." Segundo
ela, além de o air bag não inflar, gases vazaram
queimando-lhe o rosto. "Tive queimaduras de 2.º
grau."
Belle
afirma que levou o veículo na concessionária
e lá disseram que o air bag tinha funcionado.
A
Fiat, no entanto, diz que o caso não foi assim. A
empresa disse que a concessionária fez uma perícia
e foi constatado que o air bag tinha inflado.
A
montadora italiana diz que o air bag infla e desinfla tão
rápido que Belle não percebeu. O tempo, diz
a empresa, é de 50 milésimos de segundo. E
que não há evidências de que o air bag
não tenha funcionado. A pendência está
na Justiça.
Com
estes casos sendo divulgados surgiram mais dois no Rio.
Para Jaílton de Jesus, presidente da Associação
Nacional das Vítimas de Montadoras e Concessionárias
Automobilística (Avemca), estes veículos podem
estar com defeito de fabricação. "Se
somarmos cada caso individual chegaremos a um coletivo de
pessoas que tiveram estes problemas."
Fonte:
Estadão
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