Amigos
ajudaram a construir a Rio-Teresópolis
Decorridos
mais de 50 anos, ainda estaria na memória de muitos a ajuda financeira
da sociedade civil "Amigos de Teresópolis", destinada às obras da
rodovia, ligando o Rio de Janeiro àquela cidade serrana. No dia 11
de dezembro de 1948, eram iniciados os trabalhos, tomando como estaca
zero a ponte da Piscina Sloper. Meses antes, o presidente da República,
Eurico Dutra, autorizara a liberação de Cr$ 5 milhões para esse fim.
Um dos cabeças do movimento era o então dirigente do Automóvel Clube
do Rio de Janeiro, Carlos Guinle, aos 65 anos de idade, ao lado de
28 fundadores e de outros noventa e tantos sócios efetivos e contribuintes,
que fizeram doações de Cr$ 500 a Cr$ 200 mil, totalizando Cr$ 2.253
milhões, quase a metade da verba do governo. Diante de autoridades,
Guinle, proprietário da famosa Granja Comary, destacava que a "Amigos
deTeresópolis" representava o resultado auspicioso de que "semente
caída em boa terra não tarda a germinar". E que a ligação direta entre
a capital da República e aquela cidade seria reduzida em 78 km. No
século XVI, trilhas e descampados foram feitos pelos índios coroados,
no planalto teresopolitano. Em 1826, ocorria a primeira ligação, Rio
a Magé (Porto da Piedade), por via marítima e de Magé a Teresópolis,
pela Estrada Imperial, caminho este interligado a Minas Gerais. A
história daquela rodovia registra também que, em 1859, a Viação Therezopolitana
dava início às suas viagens, com frota de 16 carros, entre liteiras
e carruagens, no transporte de pessoas e de cargas, na Baixada e na
Serra. Dezessete anos depois, era construída a Estrada de Ferro, cujo
ramal da Serra de Teresópolis veio a ser extinto em 1956, pelo estado
precário e altamente deficitário.
ITAIPAVA À TERESÓPOLIS
De Dutra à Juscelino
Em abril de 1949, o presidente Dutra visitou trecho da rodovia,
quando teve busto inaugurado em Teresópolis. Na época, entenderam
os técnicos que o percurso teria início a partir do km 30, da Rio-Petrópolis,
atravessando a Baixada Fluminense, nas proximidades de Magé. Daí,
então, galgaria a serra, desenvolvendo-se pelos vales dos rios Soberbo
e Garrafão, vencendo a serra da Garganta do Soberbo, a 956 m de altitude.
Depois, até atingir o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, criado
em 1939. Em 1º de agosto de 1959, o presidente Juscelino Kubitschek
inaugurava a ligação Rio-Teresópolis, no trevo 16, da BR-3, da Rio-Petrópolis,
constituindo-se em novo trecho inicial da Rio-Bahia, que se estende
até Além Paraíba. Entre numerosas autoridades, estava o assessor do
Ministério da Viação, Heleno Nunes, considerado grande benfeitor do
município teresopolitano. Não foi fácil vencer as dificuldades de
construção, reduzir a distância da viagem direta, em mais de duas
horas de percurso. As chuvas, escarpas formadas por enormes conjuntos
de pedras soltas, explosões que causaram lesões graves em operários.
Entre as obras de artes especiais - pontilhões, pontes e viadutos
- está a ponte sobre o Rio Corujas, com 56 m, outrora denominado Rio
Quebra C, devido a uma queda da liteira, sofrida pela Princesa Isabel.
Em 1969, o trecho entre o entroncamento BR-040 e Santa Guilhermina
estava saturado, apresentando problemas de freqüentes engarrafamentos,
dando início a sua duplicação, executada entre 1978 e 1981.
A
rodovia de hoje
Os
142,5 km da BR-116 - de Duque de Caxias até a divisa de Minas Gerais
- estão sob a administração da CRT, desde novembro de 1995, pelo
prazo de 25 anos. Segundo a concessionária, de 22 de março de 1996,
até maio deste ano, foram investidos cerca de R$ 80 milhões, em
melhorias da rodovia, dos R$ 450 milhões previstos até o ano 2020.
A CRT ressalta, com orgulho, que a Rio-Teresópolis, por onde passam
cerca de 540 mil veículos por mês, é a primeira rodovia da América
Latina a ter Certificado de Qualidade, o ISO 9002. Naquela Serra
dos Órgãos, recheada de belezas naturais e coberta de muita paz,
onde, quem chega, é recebido pelo Dedo de Deus, a apontar o caminho
dos céus, daquela Teresópolis, que teve o nome dado pela Imperatriz
Tereza Cristina.
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