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A
Nova Era das Rodovias Brasileiras
A rodovia
Castelo Branco (SP 280) representou um marco no rodoviarismo brasileiro.
Nela foram introduzidas novas técnicas de engenharia rodoviária
que serviram de base para os projetos da Bandeirantes, que liga
São Paulo a Campinas, Ayrton Senna e Carvalho Pinto.
Os primeiros estudos da sua construção são
de 1953, segundo o DER-SP, já o projeto é de 1961.
A construção teve início em 1963, quando foi
criada a Comissão para Obras Especiais, no governo Ademar
de Barros. Na época, a rodovia era denominada de Auto- Estrada
do Oeste. Sua função seria abrir um novo caminho em
direção a Mato Grosso e Paraná. Em 1967, através
do decreto 48.275 passou a ser denominada de Rodovia Castelo Branco,
homenagem do Governador do Estado de São Paulo de então,
Roberto de Abreu Sodré, ao ex-presidente, que apoiou a construção,
apesar de ser considerada por muitos uma obra faraônica de
Ademar de Barros, mal visto pelo governo militar.
A Castelo Branco foi inaugurada em três etapas. A primeira,
em 10 de novembro de 1968, ligando São Paulo a Torre da Pedra,
numa extensão de 170km. O segundo trecho foi em 31 de janeiro
de 1971, com mais 58 km até o entroncamento de São
Manuel e Avaré. A terceira e última fase, com 74km,
foi até o acesso a SP 125, já próximo do Norte
do Paraná.
Na década de 60, foi considerada a maior rodovia da América
Latina. O traçado original foi respeitado até hoje
e a rodovia é considerada uma das mais seguras do país.
Foi a primeira rodovia do Brasil com três faixas de rolamento
de cada lado , com trechos em que o canteiro central possui 30 metros
de largura.
Segurança
como Prioridade
Segundo
o engenheiro-chefe da obra, entre 1963 e 1971, Raul Renato Tucunduva
Filho, a segurança foi uma das prioridades. "A Castelo
foi a primeira rodovia brasileira com faixas pintadas refletivas.
Para garantir a uniformidade da qualidade da mistura, construímos
uma usina de asfalto especialmente para isso" lembra Tucunduva,
que recorda os comentários de que a obra era mais uma loucura
do Ademar de Barros. "Apesar das críticas, a Castelo
atingiu sua capacidade máxima no trecho inicial antes do
previsto e, hoje, a concessionária responsável está
sendo obrigada a construir as marginais" esclarece o engenheiro.
No dia em que foi liberada ao público, ocorreu o primeiro
acidente com vítima fatal. Um jovem de Itapetininga capotou
com um fusca e faleceu. O acidente criou o mito de que a rodovia
tinha ventos muito fortes que causavam capotamentos. "Muitas
pessoas tinham medo de usar a Castelo" recorda Paulino Oliveira,
atual diretor do DR - 2 do DER, que estreou a nova rodovia num velho
jeep. "Ao sair de São Paulo fui perguntando onde era
o acesso à nova estrada, pois, na época, não
existiam as marginais de São Paulo." Primeiro
Acidente
Os
acidentes que ocorrem na Castelo Branco, principalmente depois de
Barueri, são ocasionados por motorista que dorme ao volante.
A rodovia é tão segura que foi projetada para não
permitir o ofuscamento dos faróis de quem vem em sentido
oposto.
As maiores obras de arte da Castelo são consideradas o Cebolão,
no encontro das marginais, a ponte sobre o Rio Tietê e o grande
viaduto na serra de Botucatu.
Em 30 de março de 1998, o trecho inicial da Castelo Branco
até o km 79, passou a ser administrado pela Via Oeste, concessionária
privada, que dentre outras obras está realizando a construção
das marginais para desafogar o excesso de tráfego existente
atualmente, quando mais de 100.000 veículos trafegam na rodovia
num único dia.
O enegenheiro Tucunduva, que comandou as obras da Castelo na sua
fase mais importante, recorda com emoção o dia da
inauguração:
"A sensação que nós tínhamos é
que estavamos iniciando uma nova era." E a Castelo Branco foi,
de fato, o primeiro quilômetro de um novo tempo do rodoviarismo
brasileiro.
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