Articulista:
Moacyr Servilha Duarte - Presidente da Associação
Brasileira de Concessionárias de Rodovias ABCR
As
rodovias concedidas do Paraná
A
população do Paraná reconhece, como mostram
as pesquisas de satisfação dos usuários,
que o modelo de administração privada das rodovias
é o único que oferece as desejáveis condições
de tráfego e de segurança, além de serviços
ao usuário. E o mesmo ocorre em todos os outros estados
em que existem concessões de rodovias. São esses
os fatores que justificam o pagamento do pedágio.
Apesar
da posição isolada do governo paranaense contrária
às concessionárias, ao pedágio e aos benefícios
decorrentes das concessões, o processo continuará
a ser ampliado no Brasil, como acontece em mais de 50 países,
dos Estados Unidos à China, da África do Sul ao
Japão. Assim, o governo federal vai licitar em breve mais
sete lotes de rodovias, incluindo trechos no Paraná, ampliando
o Programa Brasileiro de Concessão de Rodovias, e permitindo
que o país resolva os gargalos da infra-estrutura rodoviária
nos principais corredores de exportação e movimentação
de veículos no país.
A
objeção política e ideológica do governo
paranaense às concessionárias leva inclusive à
utilização de argumentos que não condizem
com a realidade, como ficou patente no artigo "As concessões
e a iniciativa privada", assinado pelo senhor Rogério
Wallbach Tizzot, diretor geral do Departamento de Estradas de
Rodagem do Paraná (DER), publicado em recente edição
do Correio Paranaense.
O
diretor do DER alega que as concessionárias tomaram empréstimos
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) para custear os investimentos nas estradas paranaenses,
cobrando um pedágio "absurdamente caro". Ora,
uma das atribuições do BNDES é justamente
financiar projetos viáveis financeiramente e que contribuam
para o desenvolvimento do país. Os recursos liberados pelo
banco às concessionárias seguiram as exigências
e os critérios estabelecidos pela própria instituição
- incluindo o pagamento de juros -, em contratos de teor inquestionável.
Mas as concessionárias também obtiveram empréstimos
em outras instituições e receberam aportes dos acionistas
para atender exigências de contrapartida dos financiadores.
O
diretor do DER/PR refere-se à Cide (Contribuição
de Intervenção no Domínio Econômico)
como fonte de recursos para as rodovias dentro da fórmula
"todos pagam e o Estado administra", parecendo ignorar
a realidade do sistema nacional de pagamentos de tributos e as
reais necessidades da população, particularmente
a mais carente. Mesmo considerando que os recursos da Cide são
significativos, eles não são suficientes para atender
às necessidades de recuperação das estradas,
pois destinam-se a financiar a infra-estrutura de transporte do
país de uma forma geral, entre outras finalidades, e não
apenas as rodovias.
Além
disso, o diretor do DER-PR usa dados incorretos para justificar
sua posição. Por exemplo, informa que as concessionárias
que operam no estado do Paraná "arrecadam R$ 640 milhões
por ano", concluindo que não precisariam de "mais
de R$ 100 milhões para manter as estradas". Provavelmente,
esse montante não considera os custos de operação
e manutenção e se prestaria mais a uma operação
tapa-buraco. A receita de pedágio obtida pelas concessionárias
em 2005 foi de R$ 614 milhões e R$ 406 milhões foram
aplicados diretamente em investimentos e na operação
das rodovias.
Considerado
o período a partir de 1988, quando tiveram início
as concessões no Paraná, a 2005, a situação
financeira das concessionárias do estado apresenta, inclusive,
um déficit de caixa de R$ 741,8 milhões. Nesse mesmo
intervalo, a receita obtida com as rodovias pedagiadas alcançou
R$ 3 bilhões, as despesas, R$ 2,2 bilhões, enquanto
o investimento foi de R$ 1,3 bilhão, com o pagamento de
R$ 293 milhões em impostos. Esses dados são públicos
e já foram motivos de apreciação pelo governo
do Paraná. No início do atual governo, uma CPI instalada
na Assembléia Legislativa paranaense investigou todos os
contratos e não encontrou nenhuma irregularidade.
Na
verdade, as concessionárias de rodovias do Paraná,
ao contrário do que acontece em outros estados, vêm
sofrendo dificuldades desde o governo anterior, que unilateralmente,
reduziu as tarifas em 50%, o que as obrigou a ir à Justiça
para restabelecer as condições contratuais, como
têm feito para se proteger das ações arbitrárias
do governo atual.
Apesar disso, elas continuam a manter a qualidade de seus serviços
para atender aos usuários e assegurar condições
adequadas ao tráfego de mercadorias e ao turismo rodoviário
no Paraná, na expectativa que volte a prevalecer a racionalidade
nas decisões do poder público estadual.