Quando, em abril
de 1995, entrevistado por esta publicação – pouco depois de
ter inaugurado o Centro de Futebol, no Recreio dos Bandeirantes,
que tem o seu nome – o consagrado campeão Zico anunciava a criação
de seu time e prometia duplicar a área de 17 mil m², do complexo
esportivo, no ano seguinte.
Aquele espetacular empreendimento, com infra-estrutura de primeiro
mundo, não foi apenas duplicado. Agora, constrói outro Centro de
Futebol, no bairro Vargem Pequena, a cerca de 10 km do atual. Com
dois campos e área de 20 mil m², o desbravador Zico pretende
inaugurá-lo nos próximos 30 dias.
Cercado por cenário verde, ar puro, embelezado por coqueirais,
arvoredos, lago artificial e montanhas, tem no alto de uma delas,
distante, a igrejinha de Mont Serrat.
- A santinha está lá para nos proteger”, comenta, ao mostrar,
com orgulho, à Revista das Estradas, os vestiários, os
departamentos médico e de musculação, chuveiros, refeitórios,
etc, quando fez esta revelação:
- Atualmente, temos cerca de 650 alunos, de 6 a 17 anos de idade
e, ano que vem, estou pensando em abrir inscrições a mulheres.
Agradeço ao futebol tudo o que ele me proporcionou e proporciona,
de dar aos jovens a oportunidade de ingressarem no mundo do
futebol”, afirma, com a simplicidade que o caracteriza, aos 46
anos de dignidade, de juventude, de servir.
No Centro de Futebol Zico, os jogadores nada pagam. Os alunos têm
custo mensal de R$ 72 e R$ 114, com dois e quatro treinos por
semana. O time do astro busca a primeira divisão. Os filhos
Thiago e Arthur jogam no CFZ, enquanto Bruno é festejado cantor,
que bateu recorde de vendas, com o conjunto Só no Sapatinho.
São cinco campos, sendo três oficiais, um soçaite, de grama
sintética, e um de areia, que têm como treinadores, entre
outros, os famosos jogadores Adílio e Andrade, que formaram com
Zico um dos melhores trios na história do Flamengo.
- Temos hoje franquias em Juiz de Fora, Belo Horizonte, Natal,
Manaus, Campo Mourão e São Gonçalo”, comemora Arthur Antunes
Coimbra, com cerca de quatro mil alunos. Quem estiver interessado
em franquia, poderá ligar para (0__21) 490-2431, dra. Regina Celi,
km 17,5 da Av. das Américas, sede do Centro.
CASTELO BRANCO – Zico mantém,
até dezembro, contrato no Japão, para onde viaja quatro vezes
por ano. Disse que dirige automóvel naquele país, mas que ainda
não se acostumou com a mão invertida no trânsito.
- Bem, lá há respeito à velocidade, ao sinal. A cultura
japonesa é de proteger o cidadão, com punição forte ao
infrator. Aqui, o sinal abre e ninguém tem paciência, sai logo
cortando. Nem todos se preocupam com os pneus, com a revisão do
veículo etc. Por isso, prefiro mais avião, do que carro”,
ressalva, ao aplaudir as campanhas para reduzir os acidentes, como
o SOS Estradas.
O craque guarda na lembrança o tempo em que jogava nos juniores,
no início da década de 70, quando viajava por São Paulo.
“Gostava muito da Castelo Branco, que me impressionava. Imagine
como deve ser agora”. Para Zico, as privatizações ajudaram
bastante a melhorar as rodovias. Considera a cobrança de pedágio
“justíssima”, desde que as estradas estejam em bom estado. -
Afinal, o usuário paga para ter coisa boa, bem sinalizada”,
conclui. |