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A Jovem Guarda
passou, mas Wanderléia continua uma brasa, mora! No palco a mesma
energia, no sorriso a eterna simpatia, na voz as lições do
tempo, que ensina, a quem tem talento, como cantar cada dia
melhor.
Agitada, fala em disparada, cantando pneu, como fez tantas vezes
ao volante dos seus possantes V8, em que mostrava os dotes de
piloto, deixando muito marmanjo a ver navios. Preparando o lançamento
de mais um disco, que está gravando, a convite de Roberto Carlos,
no novo studio do Rei. Wanderléia não para de fazer shows pelo
Brasil. "Estou sempre na estrada".
Lembra da Jovem Guarda com carinho e principalmente dos amigos
mais queridos, como Roberto e Erasmo. “São pessoas bonitas,
verdadeiras que amam o que fazem .” Junto com eles, Wanderléia
, esteve à frente de um dos maiores movimentos da história da música,
não apenas brasileira, como mundial. “”A Jovem Guarda foi uma
grande família, que criou laços profundos dentro da sociedade
brasileira. Pessoas de todas as idades gostavam e, ainda, gostam
do nosso trabalho.”
Wanderléia iniciou muito jovem, e logo começou a viajar pelo
Brasil. “As estradas não são muito boas hoje, pode imaginar há
30 anos.”, afirma. Nas inúmeras viagens passou vários sustos.
“Um vez acabei num buraco, com um Mustang Conversível .
Passaram umas pessoas a cavalo e foram buscar ajuda.”
Nos shows do interior lembra de uma apresentação em praça pública
em São José do Rio Preto , onde havia milhares de pessoas.
“Tinha gente nas árvores, pendurados em postes e na frente do
palco, havia um espaço de mais ou menos 10 metros de distância
para o público, que era contido pelos seguranças . Quando eu
perguntei se não havia jeito de trazer as pessoas mais para
perto, foi uma loucura. As pessoas avançaram, teve gente
machucada, caíram postes, o lugar ficou sem luz e foi uma
dificuldade para me tirarem dali. Desse dia em diante, passei a
tomar muito cuidado com o que dizia e a orientar o público“.
Lembra Wanderléia que passou outro aperto, quando ficou sem
combustível, na Praça da Sé, em São Paulo. Seu segurança saiu
para buscar gasolina, quando voltou, teve que dar um tiro para o
alto para poder afastar o público e resgatar a artista. “Ele
diz que foi tiro de festim, mas acertou o sino da Igreja”.
Das estradas, Wanderléia reclama dos pedágios. “Quando penso
na relação entre o pedágio e o salário mínimo, fico
assustada.”
Embora, atualmente não dirija regularmente, recorda de sua paixão
pelos carros possantes. “Gostava de cantar pneu , aprendi a
pilotar com alguns pilotos meus amigos. Uma ocasião foi realizada
uma corrida com artistas em Interlagos. Tinha o Tarcísio Meira, a
Glória Menezes, Regina Duarte, Jô Soares. Fiz dupla com o Zé
Renato. Larguei na pole mas alguém, não sei quem foi até hoje,
puxou o afogador do meu carro na largada e , apesar dos problemas
que me causou, conseguimos chegar em terceiro lugar. “
Apesar de viajar muito, sempre procurou manter a família por
perto. “A estrada é solitária. Minha irmã, meu irmão e até
meu marido, trabalharam comigo. E sempre procurei fazer meus shows
com a mesma
equipe.”
A sua boa forma impressiona a todos. E a voz marcante, está cada
dia melhor. “Muitas pessoas cantam muito bem mas não tem
personalidade vocal. Quando você ouve a Bethânia, mesmo sem vê-la,
você sabe que é ela. O mesmo acontece com o Roberto Carlos, a
Martinha . É preciso ter um diferencial. Cantor tem que ter alma
de canário e vocação para missionário.”
Cuidadosa na escolha do motorista que a acompanha, Wanderléia não
deixa de levar na bagagem seu travesseiro, entre outros apetrechos
pessoais. “Às vezes o artista sai do show e quer ir logo para
casa. É preciso saber se quem vai dirigir descansou , não
bebeu.”
Nas estradas da música, Wanderléia abriu caminhos no coração
do público, que garantem seu sucesso de hoje e pista livre para
seu talento Brasil afora. Para os grandes artistas, o tempo não
cobra pedágio |
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