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Na década de 60, um menino de Osasco, na Grande
São Paulo, descobriu que estava abrindo uma estrada
perto de sua casa. Certo dia viu passar alguns caminhões,
um deles enguiçou e o caminhoneiro, enquanto
resolvia o problema, deixou o garoto, encantado com
aquele "bruto"(caminhão na linguagem
estradeira), entrar na cabine. Foi paixão a primeira
vista. O menino cresceu, foi estudar publicidade, começou
a pegar a estrada e, numa viagem para Rondonópolis,
conversando com caminhoneiros, descobriu que não
havia nenhum programa voltado para caminhoneiros.
Na época, como utilizavam muito um truck, os
motoristas chamavam o caminhão de trucão
ele ficou com isso na cabeça, voltou para casa
e foi atrás de uma rádio para lançar
seu programa.
Assim surgiu Pedro Trucão e começava a
carreira do maior comunicador do setor nas estradas
brasileiras. Hoje, Trucão mantém um programa
diário na Rádio Aparecida AM e FM e semanal
na televisão, dentro do Siga Bem Caminhoneiro,
da Petrobrás.
O nome Trucão já causou confusão,
porque devido a sua voz rouca, muitos caminhoneiros
imaginam um homem de grande estatura, encorpado como
a maioria dos caminhoneiros, mas Trucão mede
1,65 m e pesa 63 kg. "As vezes as pessoas não
acreditam que sou eu, mas reconhecem a voz. Brinco dizendo
que eles é que são Trucão eu sou
Toco". Toda semana Trucão viaja, de carro,
caminhão e avião, para fazer matérias
no Brasil e exterior, contando a vida nas estradas.
São cerca de 6.000 km por mês no "trecho",
como define as estradas. Verdadeiro trabalho de gigante.
Nesses 20 anos de estrada, Trucão conheceu o
país todo, diz que a vida do caminhoneiro não
mudou muito. "Ouço as mesmas conversas.
Os fatos novos são os pedágios. Dizem
que o Brasil tem algumas estradas de primeiro mundo,
mas o bolso do caminhoneiro continua de terceiro".
Trucão conhece as estradas do exterior e acha
que as nossas melhores rodovias pedagiadas merecem nota
6 em relação às rodovias do Norte
da Europa. "Da França para cima, as rodovias
são muito melhores que as nossas melhores. Já
os postos brasileiros merecem nota 10, comparados com
os europeus". Mas as estradas oferecem seus riscos,
com o aumento do roubo de carga, os caminhoneiros estão
sempre preocupados. Certa ocasião Trucão
viu um parado em local perigoso e foi falar com o caminhoneiro,
para entrevista-lo e avisa-lo. "Na época
meu carro não estava identificado. Peguei meu
gravador e fui falar com ele, quando subi senti o cano
de um 32 engatilhado encostado na minha cabeça.
Expliquei quem eu era> Ele baixou a arma e explicou
que sabia que o local era perigoso, por isso ao ver
o carro parando e um sujeito com alguma coisa na mão
se aproximando, teve que se precaver. Daí em
diante, passei a identificar meu carro, para ser reconhecido
e não acontecer mais esse tipo de situação".
Além do rádio, televisão, artigos
para revistas do setor, Trucão também
está presente nas estradas virtuais, através
do www.trucao.com.br. "Preciso alimentar mais meu
site mas confesso que a maioria dos sites do setor não
vão sobreviver, principalmente esses agenciadores
de carga, via internet".
A vida familiar de quem está sempre viajando
não é fácil, mas Trucão
consegue conciliar e mantém ótimo ambiente
em casa. "Minha esposa já me conheceu nessa
vida. E tem me ajudado muito, inclusive fazendo companhia
em algumas viagens, assim como minhas duas filhas".
Trucão e a esposa Marlene se conheceram na faculdade,
quando ele estudava publicidade e jornalismo.
Sempre preocupado com os caminhoneiros, Trucão
é encarado por muitos como espécie de
porta voz da categoria. "Procuro mostrar a importância
desse profissional para a sociedade brasileira. Mas
não sou líder sindical, sou jornalista
e digo sempre que o caminhoneiro deve agir com correção,
dirigir com cuidado".
Nas estradas, Trucão conhece a realidade brasileira.
A vida da gente simples e passa por momentos de rara
emoção. "Numa viagem passei pelo
sertão baiano, na região de Capim Grosso,
encontrei uma senhora, à beira da estrada, vendendo
pimenta, uns passarinhos e papagaio. Fui conversar com
ela. Ela sabia que não podia vender animais silvestres,
estava há dias tentando vender um passarinho
por R$ 1,00, a pimenta pelo mesmo preço e o papagaio
por R$ 15,00. Ela começou a contar sua história
, seu drama, as dificuldades pelas quais passava, mantendo
vários filhos. Comecei a chorar com ela na beira
da estrada. Fiquei pensando, nós criticamos as
pessoas pobres por venderem animais silvestres mas não
damos condições para que elas sobrevivam".
Assim é Pedro Trucão, um brasileiro que
realmente conhece o Brasil.
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