Como é que o
grandalhão Oscar, com dois metros e quatro centímetros de
altura, consegue entrar, sentar em carros de passeio e
deslocar-se? Ainda mais agora, com esses veículos modernos,
pequenos, apertados?
Suado, depois de duas horas de treinos matinais no Flamengo, na Gávea
– metade correndo ao redor do campo e outra no ginásio, fazendo
arremessos na cesta – o aquariano Oscar Daniel Bezerra Schmidt,
41 anos, nascido em Natal, pai de dois filhos – esclarece a dúvida:
- Bem, peço à concessionária para dar ajustada no banco,
alongar o trilho, tirar a barreira que o segura, pôr para trás,
que já é o suficiente".
O campeoníssimo de basquete – que guarda como maior momento de
sua vida profissional a conquista do Pan-Americano, de
Indianápolis, em 1987 – faz questão de ressalvar que não é
chegado a dirigir automóveis, que prefere ser carona e que até
deixou o carro em São Paulo, ao se transferir para o Rio de
Janeiro. Costuma ir embora para Ipanema ao lado direito do colega,
que lhe dá carona.
Em entrevista exclusiva à RDE – Revista das Estradas lembrou
que, ao longo de 20 anos de seleção brasileira, fez numerosas
viagens para todos os lados, incluindo o exterior, e que, depois
do Brasil, gosta dos Estados Unidos. "Quase não andava de
carro, à exceção da Itália, onde morei durante 11 anos".
BRINCADEIRAS – Simples, jovial, atencioso, o garotão
Oscar, que manteve silêncio durante a corrida que fez ao redor do
gramado do Mengão, não parou de brincar com os colegas e,
especialmente, com o técnico Cláudio Mortari, durante o treino
no ginásio do clube. Numa contagem do repórter desta revista,
Oscar fez 72 lançamentos sucessivos, acertando 60. O técnico,
também em tom de brincadeira, insistia em gritar que ele errava
mais do que acertava. Foi quando Oscar, após cesta feita pelo
lado direito – que disse preferir, mais do que o esquerdo –
respondeu que já havia batido o recorde, numa ocasião, acertando
89 cestas, sem único erro.
O campeão Oscar ensinou que, se frustração porventura existir
para ele, no basquete, passa logo, porque as vitórias ficam mais
do que qualquer derrota.
- Há a possibilidade de se refazer imediatamente, pois permanecem
mais os fatos positivos, do que os negativos. Temos, sim, a
tristeza da derrota, mas ocorre o perde-ganha e você logo esquece
as tristezas e só lembra as alegrias".
NOSSAS RODOVIAS – O
que pensa Oscar de nossas rodovias, onde foi visto em algumas
paradas? "Se funcionarem como as da Europa e Estados Unidos,
entendo como válida a privatização delas. Mas, a partir do
momento em que não dão atendimento necessário, não vale a pena
privatizar". E conclui:
- Paga-se pedágio altíssimo. Então, deve-se ter retorno também
altíssimo, em investimentos, nas estradas. Em muitas delas, você
não vê esse retorno, disse, sem citá-las.
Para ele, a fiscalização das condições dos veículos seria um
dos elementos necessários à redução de acidentes: "O
brasileiro tem a mania de beber uma cervejinha dirigindo e isso é
crime. Tem que ser punido de maneira ferrenha, com cadeia. Deve
também haver solidariedade no trânsito. O brasileiro tem mania
de apostar corrida, gosta de correr demais. Já tive essa mania
também, quando era moleque. Superei, graças a Deus. Deve-se
respeitar quem está dirigindo", aconselha. |