Projeto Gerson beneficia 1.200 crianças
Gerson: O canhotinha de ouro. O "papagaio", agora continua marcando gols de placa com sua escolinha e sua volta à Rádio Globo, como comentarista.

Gerson

Lançamentos de mais de 50 metros, que atravessavam o campo e caiam perfeitos nos pés de Jairzinho ou mansamente no peito do gênio Pelé. Essas imagens foram eternizadas na Copa de 70 e marcaram o estilo do maior lançador da história do futebol mundial: Gerson, o Canhotinha de Ouro. O "papagaio", agora continua marcando gols de placa com sua escolinha e sua volta à Rádio Globo, como comentarista.

Jovem, estreou como jogador no Canto do Rio, de Niterói. Sagrou-se campeão. Passou a jogar futebol de salão e também saiu campeão. Flamengo, Botafogo, São Paulo, Fluminense, Seleção Brasileira, igualmente com o título máximo. Amigos de infância lembram de que, quando seu time estava perdendo, o garoto Gerson pegava a bola, colocava-a debaixo do braço, acabava o jogo, dizendo que o pai chamava por ele. Todo esse know-how, todo esse passado do famoso Canhotinha de Ouro estão sendo aplicados em favor de 1.200 crianças, que integram o projeto que tem o seu nome.

- Temos o apoio da prefeitura de Niterói e de empresas, para manter o trabalho, que já completou 18 meses, projeto que sonhava há anos. Oferecemos, além do esporte, do futebol, lanche e uniforme à garotada, cuja única exigência que fazemos é que estude, que vá à escola, informou Gerson, ao acrescentar que o projeto é direcionado às áreas carentes, tirar a criançada da rua. "Atuamos em cinco núcleos de Niterói – Grota, Barreto, Pendotiba, Ponta da Areia e São Domingos. Agora, tentamos implantar o atendimento dentário aos nossos meninos", adiantou o craque, aos 58 anos, avô de Ricardo, de 3.
- Quando criança, jogava futebol na rua. Hoje, isto não existe mais, a garotada não tem mais onde jogar, a não ser em playground, assinalou Gerson, ao citar Rivelino como seu maior ídolo, dentro e fora de campo. "Nossas famílias se conhecem, frequentam-se". Outro ídolo dele é o ex-goleiro Felix, que atuou no Fluminense, time de coração do Canhotinha de Ouro.

O jogador não vê, atualmente, nenhum profissional com suas características em campo. "O futebol de hoje é diferente. É mais força, menos arte", resumiu.

PAVOR DE AVIÃO -
Nos meios esportivos e de comunicação, é famoso o medo de Gerson por avião, que só utilizava quando não havia outro jeito. "Até hoje, vou rezando. Não gosto mesmo de avião. Perdi a conta de viagens de carro, desde a década de 70. Conhecia estradas como a palma de minha mão. Era conhecido por onde passasse. Parava, tomava cafezinho nunca tive problemas".
Ex-comentarista da Jovem Pan, Gerson conta, ainda, que, certa vez, vinha à noite de São Paulo, em direção a Niterói, quando o carro enguiçou, no pedágio de Itatiaia. "Era domingo. Reboque levou o veículo até um restaurante. O mecânico da 1001 arranjou a peça, recomecei a viagem às duas da manhã. Quando cheguei em casa, encontrei o maior alvoroço, já haviam ligado para hospitais. Entrei com a cara mais limpa do mundo. Não avisara a ninguém do ocorrido com o carro". Ano passado, teve problemas com a correia do veículo, na estrada. "Futebol junta, congrega", disse, ao contar ter sido socorrido por caminhoneiro. "Um deles arranjou a correia, consertou e foi embora".

SEGURANÇA -
O Canhotinha de Ouro vê as privatizações de rodovias como evolução, é a favor de pedágios, "desde que tragam benefícios". Aconselha ao motorista viajar sóbrio, não andar grudado na traseira de ninguém, e que bebida não combina com dirigir. "Ou morre ou mata. Sou contra a venda de bebida alcoólica em estradas, tem gente que não pode beber meio copo, fica tocado e acaba fazendo besteiras ao volante", concluiu.