Campeão de notícias quentes
Boechat foi criando novo estilo de colunismo no país, e hoje assina uma coluna no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, reproduzida em vários jornais, além de atuar em noticiário da Rede Bandeirantes.

Ricardo Boechat

Em 1970, o jovem de esquerda, Ricardo Boechat, abandonava os estudos para ser jornalista. Certo dia, foi surpreendido por um convite do chefe de redação, Nilo Dante. “Garoto, você quer fazer um bico? Então, procura o senhor Ibrahim nesse endereço.” Na hora, Boechat não se deu conta, e logo descobriu se tratar de Ibrahim Sued, uma das legendas do jornalismo brasileiro, com quem viria a trabalhar por mais de dez anos.

“Ele era o símbolo de valores e segmentos que eu via como grandes adversários, foi uma situação engraçada e uma experiência muito rica”, relembra Boechat, para quem Ibrahim foi o primeiro a perceber que naqueles ambientes de luxo, festas, com a presença de políticos, empresários, banqueiros eram os locais onde estavam as notícias.

Boechat foi criando novo estilo de colunismo no país, e hoje assina uma coluna diária no Globo, do Rio de Janeiro, reproduzida em mais 12 jornais, além de atuar na Globo On e Bom Dia Brasil, da TV Globo.
Este ano seus furos de reportagem acabaram em CPI. Foram os casos dos bancos Marka e FonteCidam. Outra notícia, em primeira mão, a nomeação de Armínio Fraga para a presidência do Banco Central.
Boechat está sempre em busca da notícia quente. “Eu quero é a primeira página, dar notícias que abalem o leitor, mudem o seu dia”.

Perguntado sobre o que ainda não teria feito na sua vida profissional, que gostaria de realizar, respondeu bem humorado: “Me aposentar. Quero jogar bola, pescar, não fazer nada. A humanidade foi adestrada para produzir, trabalhar. Coisas como contemplar, passear, divagar, que tem muito a ver com nossa natureza, foram sendo massacradas pela idéia de produção. O ser humano tem que se manter ocupado, mas não tem que estar, necessariamente, trabalhando.”
Recentemente, Boechat lançou o livro “Copacabana Palace Um Hotel e Sua História”. Foram onze meses de trabalho. Fiquei impressionado com a importância do hotel para a história do Brasil. O Rio era a Capital da República e o Copa dividia com o Palácio do Catete a condição de espaço, onde as coisas aconteciam”.

Boechat tem um Land Rover Defender, com capacidade para 11 passageiros , para levar os cinco filhos e os “agregados”. Logo que comprou o carro, viajou para Teresópolis e foi parado pelo patrulheiro que verificou que ele não estava habilitado para dirigir veículo com mais de 10 lugares. Surpreso com o fato, acabou sendo liberado pelo policial, que percebeu sua boa fé. Tentou tirar a carteira e ficou assustado com a burocracia. Tempos depois, numa outra estrada, foi parado novamente e encontrou o mesmo policial. “Eu disse a ele: - Não acredito que seja o senhor outra vez! Ele respondeu: Nem eu, que o senhor ainda não tenha tirado a carteira! Contei novamente com a tolerância do patrulheiro. Aleguei ter tirado os bancos para colocar a bagagem e o carro estava com capacidade para sete pessoas. Agora, já tirei a carteira.”

Sobre a concessão de rodovias para o setor privado, Boechat é simples e direto: “Melhora ou não melhora? Se melhora , eu sou a favor. A minha preocupação é saber se a dignidade do usuário está sendo respeitada e melhor atendida como consumidor. Eu não sinto minha soberania nacional atingida, porque alguns quilômetros de asfalto estão nas mãos de alguma empreiteira. Eu não quero buracos e apenas espero que os pedágios sejam compatíveis com os padrões internacionais”, completou.