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O Brasil está
passando por uma febre de parques temáticos, mas há muitos anos,
um visionário conhecido como Beto Carrero lançou o primeiro
parque temático brasileiro, no litoral catarinense. O que para
muitos era uma aventura, quase loucura, resultou num
empreendimento sólido, exemplo de sucesso, que já recebe 1 milhão
de visitantes por ano.
"Tudo que fiz foi com recursos próprios, sem dinheiro do
governo ou de grupos financeiros. Criei um destino turístico e
hoje recebo pessoas do Brasil inteiro, inclusive da Argentina,
Chile, Uruguai e Paraguai", afirma Beto Carrero.
O paulista de São José do Rio Preto, João Batista Sérgio Murad,
conhecido como Beto Carrero, partiu para a vida com seu cavalo faísca
e uma pequena caravana, e hoje, emprega 600 artistas, mais de 120
deles estrangeiros, possui o quinto maior parque temático do
mundo de dentro de 1 ano deve inaugurar outro, próximo a
Campinas, que quando completo, terá consumido investimentos de R$
200 milhões. Tudo isso feito com capital próprio.
Sempre à busca
de novidades, no Beto Carrero World será inaugurada em breve a
Torre do Terror, com 100m de altura, em que os visitantes subirão
e depois cairão em queda livre. "A maior do mundo está na
Disney e tem 65 m. Contratei a mesma empresa para instalar aqui no
Brasil. O preço lá foi de US$ 3, 8 milhões. Também construí a
maior entrada temática do mundo. No Beto Carrero, o Castelo da
entrada, que diferente da Disney não tem função e é pequeno,
possui um saguão de entrada de 11 mil metros quadrados".
Beto Carrero é um admirador da Disney, e dos parques temáticos
que têm "coração". "Acredito muito nos parques
com alma. Veja o Disney, ele fez o parque, quebrou, mas conseguiu
alcançar sucesso. O mesmo aconteceu no Busch Gardens na Flórida.
São parques com alma, feitos com idealismo. A maioria dos parques
temáticos , hoje em dia, são empreendimentos financeiros, que
buscam apenas o lucro. Por isso alguns parques temáticos tem dívidas
três vezes superiores ao seu valor". Mas Beto Carrero
acredita muito no potencial dos parques temáticos no Brasil.
Usuário regular de estradas, Beto Carrero já viajou com seus
circos por todo país. Para ele dirigir nas estradas é uma
terapia. Quando viaja e dirige prefere a sua Mercedez e vai
parando várias vezes até São José do Rio Preto, onde nasceu e
possui uma fazenda. "De São Paulo até Rio Preto paro a cada
100km. Compro doces caseiros, produtos de pontos de parada, paro
em pequenos comerciantes da estrada".
Tirar férias não faz parte do seu vocabulário, segundo Carrero.
"Meu trabalho é meu lazer".
Atualmente, com os três circos que mantém, sendo um deles
percorrendo os países do Mercosul, Beto Carrero emprega 1.600 pessoas,
sendo 600 artistas. Diz que os brasileiros aprendem com muita
facilidade e estão substituindo os estrangeiros como principais
atrações. "Nosso povo é o mais criativo do mundo. Aprende
o que os outros fazem e pouco tempo depois está fazendo melhor e
com mais criatividade. No Japão demoram sete anos para fazer um
sushiman. Aqui, um cearense em poucos meses já faz tão bem como
eles", afirma Beto Carrero.
Conhecido em todo país, em pouco mais de 20 anos já foi visto
por mais de 26 milhões de pessoas. Nas horas vagas, seu hobby são
os cavalos. "Adoro ir para a fazenda, laçar um boi, fazer o
trabalho normal do peão. Tenho vários cavalos. Gosto mais das
misturas. A raça pura nem sempre é a melhor. Faça a mescla de
um andaluz com manga larga e veja a beleza que vai sair".
Usuário das rodovias brasileiras e argentinas, afirma que lá estão
melhores e o atendimento é muito superior. "As rodovias são
o melhor negócio do país. As concessionárias não têm pedágio
mas uma catraca de cobrança . O governo constrói e depois
entrega à iniciativa privada, inclusive emprestando o dinheiro
para eles comprarem".
Beto Carrero está investindo num viaduto e 7 km de estrada,
ligando a BR101 até Penha, no trecho catarinense da rodovia.
Previsto para ser inaugurado em janeiro, segundo Carrero será o
mais bonito da rodovia do Mercosul. Um dos seus projetos mais
ambiciosos é a Rodovia dos Sonhos. Mas isso fica para outra
entrevista. |