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Nascido em Martinópolis, no Estado de São
Paulo, Ary Toledo foi viver em Ourinhos ainda criança.
E já aos nove anos demonstrava seu talento, ainda
que inconsciente. "Estava jogando bola de gude,
com meus amigos, quando o padre Arnaldo chegou e, vendo
que estávamos numa rua de terra, com poeira,
ele perguntou onde era o correio. Eu expliquei a ele
e depois, ele, sutilmente, sugeriu que nós saíssemos
da rua, cheia de pó e fossemos a Igreja para
que nos ensinasse o caminho de Deus. Disse a ele que
não ia coisa nenhuma, pois se ele não
sabia o caminho do correio, como podia saber o caminho
de Deus? Ele achou graça e disse que eu era muito
espirituoso. Na época eu não sabia que
estava fazendo humor!".
Em 1965, Ary Toledo foi para São Paulo e fez
sucesso, pouco tempo depois gravando uma modinha do
comedor de gilete, composta por Vinicius de Moraes e
Carlos Lyra. "Fui o sexto artista a gravar e acabei
vendendo, naquela época, mais de um milhão
de discos", lembra Toledo.
Na época da ditadura recorda que havia uma espécie
de acordo com os censores. Os humoristas evitavam temas
políticos e podiam fazer mais humor pornográfico.
"Fui detido várias vezes. Quando saiu o
AI 5 eu dizia no show que quem tem cão caça
com gato, e quem não tem cão caça
com Ato. Fui logo "convidado" pelas autoridades".
A relação com os censores era curiosa,
pois eles eram fãs de Ary e pediam desculpas.
Estradeiro, já viajou o Brasil todo. Deu show
em vários tipos de lugar, inclusive boates de
prostitutas. "Comecei a perceber que era quase
tudo mulher, riam pouco da piadas, depois entendi".
Já passou seus sustos na pista, como quando trocava
o pneu do carro e pediu ajuda. Pararam alguns ladrões,
que tinham roubado um carro, o assaltaram e ao reconhecê-lo,
disseram que levariam relógio, carteira, dinheiro
e cheque como lembrança. "Ainda fui gozado
por eles".
Ary reconhece que faltam bons redatores de humor e humoristas.
"Temos muitos imitadores, mas os grandes nomes
são ainda os mesmos. Chico Anísio, Jô
Soares, José Vasconcelos, Juca Chaves, Sérgio
Rabelo. Novos tem só o Tom Cavalcanti e o Pedro
Bismark".
Admite que a vida privada de humoristas é difícil,
pois sempre acham que ele pode estar brincando. A vida
amorosa fica prejudicada.
Apesar de ser a favor da concessão de rodovias,
acha o pedágio uma piada de mau gosto e ruim.
"Já pagamos tanto imposto". Afirma
ser um motorista tranqüilo, embora evite dirigir.
Quando é parado na estrada, confessa ser obrigado
a contar piadas, dar livro e disco.
"Uma vez, estava nos EUA com um amigo, ele fez
uma manobra ilegal e apareceu a polícia. Tentei
enrolar o policial, falando esquisito. Ele era pernambucano,
estava há 15 anos nos EUA, me reconheceu e acabou
pedindo que trouxesse uma cara para a mãe dele",
lembra o humorista.
Ary Toledo tem mais de 60.000 piadas no seu computador
e considera-se um garimpeiro do humor. Aprecia que as
pessoas venham lhe contar piadas. "Acho sensacional.
Para mim são pessoas corajosas, desinibidas,
que gostam de mim e querem ajudar. As vezes ouço
uma que não conheço e aumento meu repertório.
O humor liberta as pessoas de seus problemas. Gosto
do que faço e o humor é como uma espécie
de oxigênio. Não dá para viver sem
um sorriso".
Embora a vida de humorista seja feita de riso, Ary não
esquece quando teve que fazer um show no dia da morte
de sua mãe e outro no local onde Elizeth Cardoso
foi velada. "Ela era quase uma irmã. Quando
vinha para São Paulo ficava na minha casa. Eu
estava fazendo um show no João Caetano, no Rio,
e ela morreu. Um compositor amigo nosso, me disse que
ela queria ser velada naquele teatro. O público
já estava chegando e propus cancelar o show.
Ele insistiu para que continuasse, pois o velório
começaria tarde. Várias pessoas ficaram
depois. Fiz um dos melhores shows da minha vida, em
homenagem a Elizeth, e depois de fazer rir, fui chorar
no velório".
A música é o principal hobby de Ary Toledo
que toca vários instrumentos e já teve
inúmeras músicas gravadas por grandes
cantores. Além dos livros, discos, faz muitos
shows e convenções.
Recorda que num desses espetáculos, uma senhora,
muito gorda, acabou sendo acomodada num banquinho próximo
do palco, porque já estava tudo lotado. "Ela
começou a rir, acabou no chão e o banquinho
destruído. Parei o espetáculo. Ela então
disse: Está vendo, você devia comprar banquinhos
mais fortes! Eu respondi, que era a primeira vez que
via um banco quebrar por excesso de fundos. Foi uma
gargalhada geral".
Assim é Ary Toledo, um malabarista das palavras,
que torna nossos dias mais divertidos.
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