Entrevista com o vice-governador do Estado de São Paulo: Geraldo Alckmin.
"Passei alguns apuros nas estradas, o maior em 1994, na Dutra, quando ocorreu um acidente envolvendo vários veículos, como médico fui prestar socorro até a chegada dos Anjos do Asfalto"

Geraldo Alckmin

As últimas eleições para prefeito de São Paulo, revelaram, ao Brasil, um político, já experiente, que vinha conquistando seu espaço discretamente no cenário paulista, como vice-governador do Estado de São Paulo: Geraldo Alckmin. Natural de Pindamonhangaba, cidade da qual foi prefeito, Alckmin foi sempre um nome respeitado no Vale do Paraíba. Médico de profissão, viveu muito na estrada entre sua cidade natal e a capital do Estado. Nessas viagens nunca imaginou que poderia ser candidato a prefeito, o que acabou ocorrendo nas últimas eleições, quando seu desempenho surpreendeu. "Comecei com 1% nas pesquisas e terminei com 17% ".

Preocupados com o potencial de Alckmin, no segundo turno, os estrategistas do PT, que tinham Maluf como alvo, procuravam atacá-lo, pois preferiam que Marta Suplicy enfrentasse Maluf, cuja rejeição do eleitorado era grande e contando que votos de Alckmin migrariam em parte para Marta.

O primeiro turno foi definido nos últimos votos e Maluf passou para o segundo turno. Mas ficou claro que um novo político emergiu com luz própria e crédito para saltos maiores.

Usuário regular de estradas, principalmente entre São Paulo e o Vale do Paraíba, encontramos com o atual vice-governador na estrada. "Sempre gostei de viajar pela estrada. Viajei muito num Passat que tinha, entre Pindamonhangaba e São Paulo, quando estava fazendo minha residência no Hospital dos Servidores." Alckmin assegura ser um motorista cuidadoso e revela que é motociclista, embora atualmente não use mais moto.

"Passei alguns apuros nas estradas, o maior em 1994, na Dutra, quando ocorreu um acidente envolvendo vários veículos, como médico fui prestar socorro até a chegada dos Anjos do Asfalto."

Alckmin defende o processo de concessão de rodovias. "É positivo porque passamos a contar com rodovias mais bem conservadas. É o conceito de rodovia viva, com guincho, ambulância , câmeras monitorando o tráfego, telefone de emergência... O custo para manter esses serviços é o pedágio, mas existem outros benefícios como a redução das mortes nas estradas, do custo de transporte e manutenção dos veículos. Estradas melhores permitem o escoamento da produção, desenvolvem o turismo, as indústrias." Alckmin recorda ainda obras que estão em curso como o prolongamento da Bandeirantes, a construção das marginais da Castelo Branco e a duplicação de parte da Raposo Tavares, as obras da Imigrantes. Mas não deixa de elogiar a Dersa, empresa do estado, que administrava os principais sistemas de rodovias de São Paulo e que hoje, ficou praticamente restrita ao Sistema Trabalhadores. "A Dersa desenvolveu o know how de operação e construção de modernas rodovias."

Alckmin entende que o Programa de Concessão de rodovias faz parte da reforma do Estado. Em que cabe ao governo o papel de regular e fiscalizar a operação das estradas.

Mas revela sua preocupação com os direitos do consumidor. "Fui relator do Código do Consumidor."

O atual vice-governador de São Paulo admite que aprendeu muito nas eleições para prefeito da capital. "Estudei muito as questões metropolitanas, procurei fazer uma campanha de bom nível e a população reconhece isso". Realmente, nos poucos minutos de conversa com a Revista das Estradas, várias pessoas vieram cumprimentá-lo. Alckmin não faz o tipo de político tradicional. É muito simples, sem estrelismo, atendeu a todos com simpatia. Reconhece que a campanha o tornou nacionalmente conhecido, mas não fala sobre o seu futuro político. "É preciso percorrer um quilômetro de cada vez".

Geraldo Alckmin é como o motorista cuidadoso, sabe que para chegar a seu destino é preciso dirigir sua carreira política com cuidado, respeitando os demais. Excesso de velocidade não combina com estrada, nem com política.